Days of the New — Shelf in The Room

André Vinícius
Sep 4, 2018 · 2 min read

Eu só acredito na morte e em todo sabor bruxuleante que lembra a voz de Deus ecoando por entre meus sapatos cavos. Ontem a noite o céu abriu e uma lata de refrigerante caiu lá de cima. Era um sinal para nos calarmos. Eu bebi e foi sintético como plástico, cada gota inflamando minha garganta, e agora minha voz já fazia seus ouvidos sangrarem.

Certa vez, cantei alto o suficiente e todos pestanejaram perante a graça, o que saiu foi duvidoso, mas ainda assim soava melancólico. Eu sei, eu deveria ter feito melhor, mas tudo estava restrito a conclusões que eu não poderia ter tirado. Qualquer mal entendido tinha muito potencial naqueles dias, e eu lembro que eu te disse pra não ouvir o coração, eu menti pra mim mesmo, e qualquer dor velada figura como troféu nas minhas decepções.

A noite rompe no choro, de dia, assertivamente, desata melancolicamente, como uma máquina de refrigerantes; eu estou distribuindo câncer entre meus financiadores mais caros. A culpa sempre será minha enquanto eu estiver vivo para abraça-la com força, e ninguém, ninguém nessa merda de playground vai tirar isso de mim. Eu prometo segurar com força e com os punhos cerrados, “A CULPA É MINHA”.

Nenhuma tragédia grega se prestaria a esse papel ridículo — eu bem sei — mas eu me destaco no que me diminui. A expressão é falta de sentido e qualquer pedido de socorro já soa piegas. Se trocarmos socos eu prometo te beijar no final. Será inesperado e grotesco, como quando alguém se afoga com o próprio sangue.

E eu cantei aquela canção proibida que falava de amor, e todos me condenaram a sofrer como Prometeus. Pois bem, eu nunca duvidei da minha capacidade de provocar tristeza e angústia nas pessoas que mais amo. É como uma fruta podre que estraga todas as outras

    André Vinícius

    Written by

    Minha escritura é turbulenta, confusa e odiosa .-.