A militância de telão e Pabllo Vittar

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Não, esse não é um texto de exclusividade sobre Pabllo Vittar.

Como todos sabemos, a luta pelos direitos LGBTTQ+ é super antiga, mesmo com todas as siglas unidas, continuamos sendo minoria e dando suporte uns aos outros. Bem, isso é apenas na teoria, não é mesmo?
A gente vê muito preconceito LGBTTQ+ no próprio meio LGBTTQ+, é gay que não gosta de afeminado, é lésbica que não gosta de bi, é bi que não gosta de transexual e por ai vai. Mas não deveria ser ao contrário? Não deveríamos nos apoiar por uma causa em comum, da conquista de direitos? 
É claro que dentro do meio LGBTTQ+ cada um luta por algo, tendo o respeito em comum, mas isso não acontece no próprio meio. Vamos tomar como exemplo a drag queen Pabllo Vittar. Pabllo tem feito um sucesso estrondoso e histórico para a comunidade que tanto sofre pelo preconceito, por muitas vezes não ter a liberdade de ser quem querem ser na rua sem ouvir comentários maldosos. Ela está com um single de sucesso entre os mais tocados dos streaming de músicas, mais de 60 milhões de visualizações em um vídeo clipe, está no merchan de algumas marcas, apareceu em tv aberta nacional, lançou uma música de nível mundial em parceria com o trio Major Lazer e Anitta, mas não é o suficiente para orgulhar essa geração que pouco se importa com as vitórias de sua minoria. 
Vejo tantos ativistas de telão no facebook, que ‘’lutam’’ pela causa, mas falam mal e diminuem o trabalho de Vittar: uma bicha negra, nordestina, afeminada, que usa peruca e maquiagem como arte e que põe a cara a tapa. Eles não pensam nas barreiras que isso tem derrubado, quantos degraus estamos avançando, o quão histórico é isso nos dias de hoje. Ninguém é obrigado a gostar de sua música, de sua voz, do seu trabalho. Mas se és tão importante pra você lutar pela causa de uma minoria, por que diminuis a mesma? Onde está o respeito com seus ‘’semelhantes’’, onde está o orgulho por essa representividade tão grande? Acha ruim uma drag queen cantar funk proibidão, mas não perde a oportunidade de dançar até o chão com músicas machistas de homens cis. Temos outros casos também, como por exemplo a Banda Uó: onde dos três vocalistas, uma é mulher trans e os outros dois gays. Jaloo: genderfluid. Gloria Groove: drag queen. Mc Linn da Quebrada: mulher trans. Lia Clark: drag queen.
Todos esses artistas não precisam de sua aprovação, eles precisam do seu respeito. A comunidade LGBTTQ+ diminuindo os próprios artistas do meio abre margem para mais preconceito dos demais, é como se fosse um ‘’se eles falam mal deles mesmos, por que eu não posso?’’. Se orgulhe que tudo isso tem feito sucesso e ganhando visibilidade, apesar de suas lutas individuais, estamos todos juntos nesse mesmo barco. Não seja um ativista de telão, não seja um ‘’militante’’ que diminui o próprio povo. Fique feliz pelas nossas vitórias e principalmente, respeite.

Durante o processo de criação deste texto, Lorelay Fox, Drag Queen Youtuber, postou um vídeo que fala sobre tudo o que eu quis dizer e mais, vale a pena: