Por um tempo eu pensei que era necessário estar triste para poder fazer poesia. Que era preciso uma agonia pra escrever crônicas. Hoje não tem tristeza e nem alegria que me diga as palavras. Hoje sou corrida. Sou contas a pagar. Hoje estou precoupada com o que fazer e não o que pensar. Falta-me tempo para pensar a vida. Não há mais dias para se preencher. O que existe é a rotina. É a vida tomando forma. Sou eu tendo que lidar com meu mundo. Minhas coisas. Minha responsabilidade. A poesia veio perdendo espaço na medida que passei a crescer, a assumir e a fazer com que as coisas na minha história acontecessem. O discurso poético perdeu-se quando finalmente tornei-me ação. Hoje, o que eu quero, é manter o lúdico do brincar com as palavras na seriedade concreta do meu cotidiano. Hoje eu quero o equilíbrio entre, pensar, sentir e agir. Hoje eu quero. Hoje eu faço. Hoje não há espaço pra incertezas inconsequentes que não pagam boleto. Hoje há o real. O real cru. Agora, há de se aprender a retirar beleza dessa Rocha.
