4h39

Era cerca de 4h39 da manhã.

Eu estava encostada na sua cabeceira, daquele jeito que faz com que minha barriga pareça maior. No mesmo lugar, bem naquele lugar, que forma uma frestinha ao amanhecer anunciando a tardia luz.

Eu mexia os dedões e os dedinhos enquanto ríamos e falávamos sobre carne de porco, cabelo e educação finlandesa. Você sabe, é meu ponto fraco.

Eu te olhava de soslaio e contemplava toda a poesia em que você se tornou, com letras que eu criei em um dialeto que nem existe. Eu amo o que eu criei de você.

Sua barba, seu jeito de mexer o pescoço e gesticular com as mãos. Isso é um texto sobre você. O você que corresponde somente a mim, eu lhe crio e por fim, eu lhe destruo, diariamente. Como deve ser.

“Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer.”