Indagações Tardias

A vida passa e a gente nem vê”.

São as palavras mais ditas pelos nossos avós, ou de uma geração mais recente, a dos nossos pais. O ser humano só se dá conta do tempo, quando a velhice chega. Quando percebemos, a vida passou, a juventude escoou pelos dedos sem pouco aproveitá-la.

“Não almoçar para entregar algo? tá tranquilo, ficar sem dormir para fazer um trabalho de última hora? posso, não tem problema.” “Eu consigo, eu dou conta”

Nós, jovens, pensamos a vida como uma imensidão inacabável de dias, vivemos com uma sensação que somos imbatíveis, e que nossas ações do presente, não terão resultado no futuro — que pensamos estar tão distante.

Hoje, o mercado cria e alimenta escravos da própria carreira. Vagas de emprego com atividades extremamente injustas, com qualificações exageradas para quem está apenas começando; demandam profissionais que façam tudo de todas as profissões, por um salário insultante para quem perde anos se dedicando à uma profissão.

E nós, meros jovens estudantes, assistindo esse mercado cruel, nos sentimos culpados em assistir um filme, enquanto pensamos que o correto era estar tirando uma certificação nova; perdemos fins de semana com a família e amigos para participar de inúmeros workshops, para tentar alcançar as exigências desse mercado cada vez mais arrasador. Nossa consciência acusa, mas nosso corpo e mente sofrem.

“Coitado do meus pais, com poucas opções de trabalho, sem qualificação, são obrigados a se sujeitarem a humilhações”. Sentimos pena de nossos pais por quererem fazer carreira na empresa, e serem forçados a não sair da empresa — por pior que elas sejam — em até três meses para não sujarem a carteira.

O mais doloroso é que, não importa o quão longe chegamos, nossa meta sempre será maior, cada vez mais cursos, mais qualificações, essa exigência com si mesmo chegam em um estágio sufocante, consumindo nossa saúde mental e desenvolvendo um dos piores dos sentimentos em nós, o sentimento de ingratidão.

Like what you read? Give Andreza Reis a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.