Apoio um Feminismo para TODAS as mulheres

A primeira coisa dentro do “Feminismo” é perceber que existem Feminismos, no plural. E que nem todos esses feminismos vão te contemplar. E que não se identificar com um feminismo criado nos anos 60, para libertar mulheres cis, brancas e classe média da opressão, não faz de você menos feminista.

Você vai perceber que não precisa ser a “desconstruídona” com 20 anos de idade e que também não precisa parar de se depilar, se maquiar e de usar saia só porque os seus gostos são construídos socialmente. Você também não precisa terminar com seu namorado e começar a fazer sexo com mulheres para ser feminista. Aliás, você não precisa odiar homens para ser feminista. É sério!

Porém, duramente você vai aprender que algumas mulheres, que deveriam ser suas irmãs de luta, estão mais preocupadas em te ofender e debochar da sua não concordância ou da sua falta de conhecimento. Algumas delas não serão capazes de compartilhar conhecimento e sanar suas dúvidas sem te atacar e fazer você se sentir pior do que se sente quando um homem faz isso.

E isso é uma das coisas mais dolorosas que você vai aprender sobre alguns tipos de feminismo: “Siga o que falamos sem questionar, sem debater, ou vamos te ridicularizar e te silenciar. Vamos te confundir com jogos de palavras até você cair em contradição, depois te chamaremos de lesbofóbica e preconceituosa”.

Algumas mulheres usam com suas “irmãs de luta” as mesmas táticas de opressão do patriarcado, principalmente com iniciantes que possuem pouco poder de argumentação. Algumas mulheres vão te expor, vão sutilmente fazer você se sentir louca (gaslighting), vão zombar de você e te fazer sentir um lixo (trashing) e todas nós sabemos que isso também é abuso. É enfraquecer uma mulher para que ela se sinta desamparada e aí então acabar concordando com tudo que é dito sem questionar.

Ou pular fora.

Se isso acontecer com você, pule fora. Você não será menos feminista por isso.

Feminismo vai muito além de Facebook, onde algumas mulheres são super corajosas para serem cruéis e transfóbicas com outras mulheres (coragem inexistente em encontros cara a cara ou rodas de discussão, por exemplo).

Feminismo vai muito além de discurso academicista, jogos de palavrinhas complicadas e bonitas, fetichização da vagina e um monte de pelo no corpo.

O feminismo está ali na mãe que luta sozinha pra criar os filhos sem nunca ter ouvido falar de feminismo — E pasme! Você pode até ser mãe e feminista ao mesmo tempo! Não é errado escolher a maternidade. Está ali na mulher negra que assume seu cabelo crespo. Está ali na mulher que ajuda a amiga a identificar abuso e sair dele. Está ali nas mulheres que ensinam outras mulheres a se libertarem do patriarcado. Está ali na mulher que dá suporte à outra mulher quando vê assédio/abuso nas ruas. Está na mulher que acolhe a dor da outra e a fortalece para seguir lutando. Está na mulher que mesmo tendo consciência que não é 100% desconstruída, e que sabe que talvez nunca seja, faz alguma coisa útil e concreta para ajudar suas irmãs de luta.

A luta é contra o patriarcado, não contra mulheres, sejam elas como forem.

O feminismo pode sim ser lindo e cheio de sororidade!