“Comunista, Petralha, Esquerdopata”

Sabe, eu nasci em 1984. Eu não vivi realmente nenhuma ditadura (apesar de ela ter acabado somente 1 ano e 2 meses depois do meu nascimento). Mas eu ainda tenho 2 coisas que muitas pessoas não tem: empatia e vontade de partilhar.

Eu não entendo empresários riquíssimos pagando salário mínimo para funcionários e chorando pra aumentar o VR dos caras só para ter mais lucro (e eu vi isso trabalhando anos em RH, em contato direto com donos e diretores). Eu não entendo processos seletivos baseados em cor, tamanho, idade, sexo e aparência, novamente em nome do lucro e de uma falsa moralidade (e como muito orgulho abandonei tudo isso).

Eu não entendo porque pessoas tem empregadas domésticas para limpar mansões onde residem 2 pessoas apenas. Por que essas pessoas precisam de mansões? Por que essas pessoas precisam acumular dinheiro? Não entendo como uma única pessoa pode ser dona de uma fábrica inteira e lucrar milhões em cima de temporários que ganham uma miséria. Não entendo trabalho escravo.

Eu não entendo uma pessoa que dorme tranquila todas as noites sem refletir sobre toda a miséria do mundo, sem tentar descobrir o porquê disso. E não entendo como as pessoas não percebem o dinheiro como causador de toda essa miséria.

As pessoas não percebem que a briga não é política, a briga é por dinheiro. E por isso esse medo ridículo de um Comunismo que nunca foi ameaça para o Brasil. Nem em 64 e muito menos hoje em dia, com Cuba se abrindo pros EUA. As pessoas nem sabem o que é comunismo.

O dia que souberem que Comunismo é a ideia absurda de pegar todas as riquezas do mundo e dividir igualmente entre as pessoas, deixando que elas trabalhem naquilo que as fazem felizes e sem passar fome por isso, talvez entendam.

Então não é difícil entender uma Ditadura Militar apoiada por famílias ricas e donas das terras, certo? Imagina só ter que dividir minha fortuna que trabalhei duro (herdei) com miseráveis? Porque se dinheiro não foi o motivo, não imagino o que tenha sido então, para terem a brilhante ideia de combater uma ditadura comunista imaginária com uma ditadura militar sangrenta.

Mas o pior disso tudo é ver um merda como o Bolsonaro no congresso (que luta lado a lado com muitos brasileiros a favor do impeachment — sim você luta do lado desse cara! E uma luta tem apenas 2 lados) saudar um torturador, dizer abertamente por aí que a ditadura só matou bandido e marginal e que se fosse presidente seria a primeira coisa a fazer de novo: instaurar uma ditadura militar.

Se os caras que torturaram grávidas, crianças, colocaram ratos na vagina das mulheres, deram choques no anus dos homens, separaram mães de filhos, mataram pessoas, ocultaram os corpos e fizeram várias atrocidades em nome de proteger o dinheiro e o poder… Eu sou marginal até os ossos por querer um mundo onde todos tenham possibilidades .

Pode me chamar de comunista, petralha, idealista. Foda-se. Pelo menos eu não estou do mesmo lado que caras como Bolsonaro e Cunha.

Posso errar por ter fé demais nos meus ideais. Sim, eu sou idealista, amo uma utopia, e brigo por isso. Gosto de política, de livro e de estudar. E sempre procuro aprender e entender o que estou falando antes de reproduzir asneira por aí.

Aliás, uma das coisas que me deixa mais triste é quando sou injusta/preconceituosa devido a minha ignorância. As informações estão todas aí, não é necessário ter ido à universidade para aprender sobre o mundo, então se cometo erros é por pura preguiça. Eu não consigo me perdoar.

Me sinto uma idiota por não conseguir abrir os olhos das pessoas para o óbvio. Me sinto como Don Quixote e seus moinhos de ventos (palavras da minha mãe). Meu estomago dói por isso. Mas, como qualquer idiota idealista, eu continuo tentando, porque ideal não é apenas acreditar em alguma coisa, é viver o que se acredita. E eu me sentiria ainda pior se não tentasse. Faz parte de quem eu sou.

��9�3�B