Viva o Capitalismo!

Não é novidade a imensa desigualdade social no Brasil, o passado escravagista, o alto número de imigrantes e quem eram as pessoas interessadas numa república brasileira em 1889 (republica que só aconteceu por meio de um Golpe Militar bancado por militares ruralistas — latifundiários).

Não, esses militares ruralistas não forçaram a independência do país por amarem sua “pátria amada, mãe gentil”, mas sim para terem pleno domínio sobre as terras da coroa portuguesa.

Até a Independência não existia um povo brasileiro. Existiam índios que tiveram suas terras roubadas e seus povos dizimados durante séculos de exploração. Existiam escravos negros tratados como animais e sem direito a terra. Existiam imigrantes, primeiro portugueses e depois italianos e alemães, que vieram ao Brasil para fugir de guerras na Europa e substituir a mão de obra escrava nas fazendas, para promover o embranquecimento da população em troca de um pedaço de terra.

Mas os verdadeiros donos de terra aqui no Brasil eram os membros da nobreza designados por Portugal nas chamadas Capitanias Hereditárias e, como a própria palavra “hereditária” explica: essas terras vêm sendo passadas de pais para filhos desde então.

Para a nossa surpresa esses herdeiros estão aí até hoje na política, fazendo de tudo, desde de 1889, para não perder o que ganharam (a custo de muitos índios, negros e imigrantes mortos). E basta aparecer um governo popular que ameaça fazer a tal reforma agrária, que ameaça tirar dos ricos para dar aos pobres, que ameaça educar formalmente a população, para esses herdeiros fazerem o possível e o impossível a fim de derrubá-los.

Conseguiram isso no passado — dando o golpe no presidente eleito democraticamente, João Goulart, com ajuda dos EUA e dando início à Ditadura Militar que durou 30 anos — e conseguiram isso no presente, fazendo uso de uma poderosa ferramenta de manipulação das massas que é a mídia brasileira. Mídia centralizada em poucas famílias ricas e latifundiárias que detém as concessões de televisão e são donas dos maiores jornais e revistas formadores de opinião popular (Globo, Grupo Abril, etc.).

Aproveitam-se da falta de conhecimento básico sobre história e da falta de uso do pensamento crítico do povo brasileiro (devido ao escasso acesso à educação formal que promova esse pensamento crítico), distorcem fatos de forma tendenciosa em suas manchetes e reportagens, manipulam a crise (já que são os donos das empresas e da terra) e não sentem a menor piedade ao fomentar ódio e irracionalidade na população, tendo como lema o “Dividir para conquistar” usado por César no Império Romano.

Dão ao povo o que eles querem: status. Um status de “cidadão politizado que luta por um país melhor” antes nunca tido pela grande massa. Dão ao povo a ilusão de decisão sobre o atual cenário político. A melhor maneira de fazer alguém agir como você quer é dar a essa pessoa a ilusão de que ela está no comando. E isso também é bem antigo. Mas essa população é apenas massa de manobra, fantoche servindo a um interesse muito maior: A manutenção do status quo.

Sinceramente, eu gostaria de estar errada. Gostaria de saber que o país está avançando contra a corrupção para construir uma democracia sólida e livre dos interesses de um pequeno grupo muito rico e dono do capital. Mas isso não vai acontecer.

Tempos sombrios nos esperam e não preciso ser historiadora, e nem cientista política, para ver o futuro repetir o passado. Para ver crescer o abismo entre ricos e pobres se abrir e a extinção da nova classe média, para ver micros empresários falirem devido à abertura do mercado para as grandes corporações, para ver quão sucateadas nossa saúde e educação se tornarão com o fechamento de escolas e verbas da saúde sendo destinadas a outras pastas, para ver que as políticas públicas que, antes atendiam os pobres e minorias, serão extintas pouco a pouco, levando o Brasil de volta ao Mapa da Fome da ONU e transformando o país novamente num país de “3º mundo” ajoelhado ao FMI e aos EUA, tendo que dar todo nosso petróleo, riquezas naturais, soberania e orgulho para pagar dívidas.

Espero, do fundo do coração, estar errada.

Enquanto isso, parabenizo todos envolvidos no golpe.

Viva o Capitalismo Selvagem! Viva o Liberalismo Laissez-Faire!