Aprenda a Não Ser Tóxico e Ensine Isso aos Seus Filhos

Semana passada o momento que eu mais temia em minha vida pós maternidade aconteceu: a primeira rejeição do meu filho.
Essa maternidade pós moderna meio que não me cai bem. Vemos crianças se portando como adultos, meninas que mal sabem falar usando batom, esmalte e se vestindo de forma provocativa. Meninos se portando como mini cafas, falando palavrões e tentando ser mini homenzinhos. Eu crio meu filho como criança, trabalho brincadeiras, verifico o que ele assiste, o que falamos perto dele. Além de tudo isso eu ensino, ou tento, bons modos, agradecer, cumprimentar, compartilhar, interagir. E o enchemos de muito amor, muito carinho. Desde que ele começou a crescer comecei a perceber que ele era mais infantil que as demais crianças da idade dele e isso me preocupava. Quando o diagnóstico de TDAH foi fechado e comecei a pesquisar meu medo só aumentou. Crianças com TDAH tem dificuldade em seguir regras de brincadeiras e entender que é preciso esperar sua vez e por conta disso são, muitas vezes, excluídas.
Pois bem, fomos a uma festa e haviam crianças e meu filho, é claro, foi lá interagir, os menores brincavam normalmente com ele, mas algumas meninas da mesma idade dele o ignoravam por completo — minha criança tem 6 anos. Quando ele falava elas fingiam que não ouviam e saiam de perto, quando ele se inseria na brincadeira elas paravam de brincar e viraram as costas para ele. Sou da teoria que a criança precisa aprender a se defender e com o coração na mão observava. O pai se aproximou e ficou observando também. Até o pior dos momentos: elas disseram claramente que ele não podia participar da brincadeira pois ele não era primo delas (aparentemente todas eram família). Meu filho se desmanchou em lágrimas e isso cortou nosso coração, o tiramos de perto delas, o padrinho dele é pai de uma das meninas e com sua esposa interviram.
Não chamei a atenção das crianças, meu dever é educar meu filho e eu o faço. No dia seguinte falei com a mãe de uma das meninas, essa mãe não estava na festa, narrei toda história, não para que ela punisse a criança mas para que ela a ensinasse que excluir não é legal.
Falamos muito em inclusão, respeito e sororidade, mas será que estamos ensinando isso aos nossos filhos? É muito mais fácil viver esses conceitos quando eles fazem parte da nossa realidade desde sempre. Não precisaríamos exigir mudanças significativas se começássemos a fazer essas mudanças na nossa vida e passássemos para nossas crianças como exemplo e não como obrigação. Para uma criança qualquer outra criança é um amigo em potencial, nós que fazemos questão de criar essa separação em suas cabeças. Ensinamos que elas são melhores e elas reproduzem, pois elas acreditam no que ensinamos.
Já passou o momento que fingir que o diferente não existe faz com que ele desapareça, temos responsabilidade afetiva com o desenvolvimento de nossas crianças e isso inclui perceber nossas falhas e trabalhar para que elas mudem. Vocês tem noção do bem que fazemos ao acolher alguém que já chega acuado em algum lugar? E do mal que fazemos ao segregar alguém só por ela ser quem é? Todos os dias de minha vida tento ser alguém melhor, leio, estudo, pratico. Não estou nem na metade do caminho ainda, mas sei que se todos tentassem não estaríamos nesse momento que vivemos hoje.
Agora vivo uma crise em relação à criação da minha criança, como vou ensiná-lo a se defender dessas crianças que são criadas reproduzindo o que há de pior na nossa sociedade? (No meu tempo eu literalmente descia a mão, mas hoje isso não cabe mais, tenho que saber como ensiná-lo a se impor). Essa resposta ainda não possuo, mas uma coisa que sei é que não o criarei para ser igual a eles.