A descoberta

Meu nome é Andrezza Libel de Oliveira, tenho 26 anos, sou casada e formada em Design Gráfico, atuo como Designer Editorial, trabalhando com livros.

E também tenho Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).

Fui criada pela minha avó na infância. Meus pais eram casados e não moravam comigo. Quando se separaram, aos meus 13 anos, fui morar com o meu pai.

Com 16 anos, minha mãe queria que eu fizesse terapia para que a nossa relação melhorasse. Foi quando eu conheci a Michele.

Michele foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. Fiz terapia com ela por quase 2 anos e realmente devo boa parte da minha relação com a minha mãe à ela.

Certo dia, em uma consulta, a Michele disse que queria conversar algo sério, levantou da mesa, foi até a estante e pegou um livro, abriu e leu um trecho que explicava o significado de distimia:

“A distimia é definida como uma tristeza que ocorre durante pelo menos dois anos, juntamente com pelo menos dois outros sintomas da depressão.”

Em seguida, ela disse que gostaria que eu me consultasse com um psiquiatra e me indicou de sua confiança. Foi quando recebi meu primeiro diagnóstico médico, ciclotimia:

“Transtorno de humor que causa altos e baixos emocionais. As mudanças de humor na ciclotimia não são tão extremas quanto as que ocorrem em pessoas com transtornos bipolares. Geralmente, pessoas com ciclotimia podem ter uma vida diária comum, embora isso possa ser difícil.”

Eu sempre fui uma criança quieta, uma adolescente pessimista e uma pessoa irritada, mas a Michele conseguiu enxergar quem eu realmente sou e percebeu em mim os comportamentos e sentimentos que não eram naturalmente meus.

Após o diagnóstico, iniciei um tratamento que não mantive por muito tempo. Por ser adolescente e não ser independente na época, eu dependia da concordância dos meus pais com relação ao diagnóstico e tratamento, que não acreditavam na veracidade da doença na época.

Aos 20 anos, as crises se tornaram muito frequentes e a maioria eram depressivas. Parei de sair de casa e de ver amigos. Passei a ir de casa para a faculdade e da faculdade para casa. Foi quando meu namorado (atual marido) me incentivou a procurar um tratamento novamente, e a partir daí tenho mantido tratamento e acompanhamento para o então diagnóstico de TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR.