O sótão mental

“Quando eu crescer quero ser astronauta!”, “Quero ser jogador(a) de futebol!”, “Quero ter uma casa na árvore!”, “Quero ir à Disney!”

Desde a infância vamos acumulando muitos sonhos. Entretanto, à medida em que vamos crescendo, eles vão sendo sufocados pela rotina diária e pelos “sonhos” que necessitam ser realizados a curto prazo, tais como deixar as contas em dia ou pegar o transporte público vazio. E a única solução é empilhá-los em caixas e guardá-los em uma espécie de “sótão mental”, um lugar criado por nossa mente onde nunca mais acessaremos o que lá foi deixado. Dias, meses, anos se passam e cada vez mais caixas são guardadas nesse espaço para ficarem ali, sem incomodar e nem fazer presença.


Mas eis que um dia você começa a ouvir uma fraca voz lhe dizendo: “Vai lá visitar aquela sala.”. Finge não ouvir, alegando para si que “isso faz parte do passado e não cabe mais no momento atual da vida”. Só que a cada dia que se passa, essa voz vai ficando mais e mais forte, de modo que fica impossível de ignorá-la e então decide visitar esse sótão. Abre devagarinho a porta, que range por estar trancada há muito tempo. Entra no local, respira um ar meio úmido e com aroma mofado e ao longe vê as caixas já bem empoeiradas. “Conhecer a Europa”, “Tocar um instrumento musical”, “Ter minha casa própria”, cada uma delas está ali devidamente etiquetada. Resolve abrir uma delas e lá está aquele sonho, tão fresco e brilhante como da primeira vez em que foi concebido. Daí então vem aquela gostosa sensação de nostalgia, o brilho nos olhos reacende e então você se pergunta: “por que isso ficou guardado tanto tempo aqui?”. Então na ânsia e na felicidade repentina você decide pegar todas as caixas de uma vez e percebe que não consegue carregá-las assim, dessa forma desajeitada e desesperada.

Sempre que você se sentir sem um rumo na vida vá visitar essa sala, sem medo. Sua essência, o seu verdadeiro eu estão intactos neste lugar, não deixe que seus sonhos tenham como companhia somente as traças e as teias de aranha do comodismo cotidiano.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.