OS DOIS RISCOS DA CRUZ: um de Justiça e outro de Amor

A síntese do Amor de Deus tornou-se pública numa só palavra: Cruz! E isto com inicial “maiúscula’’ para identificar que não foi mais uma cruz, mas como a Hora que ouvimos da boca do nosso Santíssimo Crucificado. Também Jesus, o Homem-Deus, agoniou-se para o ínterim da sua paixão e morte.
O drama foi tão único e inenarrável que o Senhor como nos testemunha o evangelista ‘’suou água e sangue’’.

Disse uma vez o Santo Padre Bento XVI: ‘’A cruz é o último argumento de Deus.’’ Mas que inconcebível justificativa, poderíamos pensar, qual aquele oficial: ‘’Se és o Filho de Deus desce da cruz!’’ Segundo São Paulo, ‘’escândalo para os judeus, loucura para os gregos, sabedoria de Deus!’’ 
Quem neste mundo com descobertas, analgésicos… poderia chegar ao cristão e dizer: ‘’Olhe, veja, poderás ir por aqui e, ainda que tenhas aperreios, os teus sofrimentos serão menores!’’ Além de um contraste medonho ao Cristianismo também seria muita ‘’infidelidade’’ e fazer da Religião uma brincadeira, todavia a ‘’proposta’’ mencionada já aconteceu no início, é o mistério da iniquidade. Quando os nossos pais foram enganados pela serpente caduca e também quando Israel ‘’murmurou’’ contra Deus. Há, racionalmente, um método para chamar a Cruz de argumento? Há possibilidade humana em dizê-la que é nossa ‘’consolação’’.

A Cruz que não é apenas o apanágio do cristão é, também, a razão de sê-lo com a vida de cada instante. Que caminho, este, que Nosso Senhor escolheu para nós! Quando ela ‘’chega’’ em nosso peregrinar parece que é o nosso fim. É um breu e são lágrimas derramadas. E aqui nós vamos ‘’completando ao que faltou à Paixão’’. Tomar, como nos lembra o Senhor, a ‘’cruz de cada dia’’ sem a clara consciência de quem é discípulo do Crucificado, seria sim, uma tremenda loucura. Lembremo-nos: A Cruz não pode ser do jeito nosso porque Ele foi ‘’obediente, obediente até a morte!’’

Instiga-nos como que num assombro a declaração do chamado Bom Ladrão ao repreender o outro malfeitor que caçoara de Jesus. Da parte daquele se há uma culpa assumida que é considerada pelo que diz:”quanto a nós, é de justiça; pagamos por nossos atos (…)” de uma outra forma, agora, o que era a “justiça” imposta mediante a uma culpabilidade, em Jesus Crucificado o conceito de Justiça, é uma atitude assumida pela vítima vicária em relação aos que já estavam mortos em Adão. A Justiça de Deus- executa-se- pelo Seu Filho: Aquele que “não fez nenhum mal”! É neste ponto que também a Cruz recebe o seu signo indelével de Redenção.

A cruz foi o silêncio de Deus e nela se achou a palavra definitiva de Deus para o homem: Eu, inculpado, tomo as suas culpas. Faço-me “pecado”, por vós! A Cruz só existe para nós pelo que professa o bom ladrão: “ele não fez nada de mal”! Jesus é o nosso “goel”: Um por todos Ele aceitou ser pregado na cruz, diz o Prefácio da Paixão. Justiça se redunda em justificação para cada criatura e, só poderia assim ser, no Cordeiro que tira o pecado do mundo!

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