Amora?

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Certo dia, na rua, ao entrar no metrô eu pensei:

-pra quê falar de amor?

Pensei nisso ao concluir que nunca fui bem sucedido nesse assunto, o amor. Devo ficar muito estranho no metro, sentado ou em pé, olhando pro vazio, pensando esse tipo de coisa.

Dessa vez eu estava sentado. Liguei o celular e pus a minha musica favorita na época para tocar, era alguma do bamboos.

-Mas por que será que eu nunca acertei? Se é que dá para acertar nisso né.

Sei lá, às vezes o nosso cérebro nos sacaneia, né? Eu, por exemplo, sempre me apaixonei pela pessoa a qual havia menos chances de gostar de mim. Até hoje eu me lembro da minha primeira namorada. Estudei com ela na oitava série, talvez sétima, ou sexta. Ela era minha amiga, e eu era apaixonado por ela.

Ela era apaixonada pelo meu melhor amigo na época, e eu, só conseguia olhar para ela durante as aulas. A gente foi no cinema uma vez, todo mundo que era amigo da sala. E no fim do filme a gente foi tomar um sorvete e ela olhou para mim e acabou com o meu coração.

-Eu sei que você gosta de mim, tá bom? Mas eu nunca vou ficar com você.

Ela me odiou e depois me amou. Nosso primeiro beijo foi na festa junina da Lauro Muller.

Só consigo perceber a velocidade do metro quando ele freia e me joga para a direita. Recomponho-me e repito a musica no celular.

Mas eu vou tentar escrever menos sobre amor. Até por que todo mundo só sabe falar disso, como se fosse a descoberta do século.

A verdade é que toda vez que a gente começa um novo amor, ele se reinventa na nossa cabeça e a gente fica fascinado. Dá vontade de escrever, de pensar sobre, de fazer um filme. Aí quando ele se acaba, a gente escreve mil cartas de ódio, tem vontade de derrubar uma parede só com as mãos. Depois vem a carência, as musicas tristes, até que aparece outra moça na sua vida, te colocando no estado de fascínio inicial.

É perigoso sair da cabine de metrô, As vezes é um choque térmico tão grande que eu até fico meio resfriado. Poucas coisas são tão boas quanto ouvir a gravação do metro dizendo que a sua estação é a próxima. Saí da geladeira que era aquela cabine, e tentei não perder a linha de raciocínio. Onde eu estava mesmo? Ah sim. A verdade é que nunca se deve esperar muito de um relacionamento, deve-se apenas vive-lo, assim você tem mais surpresas, e não sofre tanto.

E uma coisa a ser seguida (por mim, pelo menos), nunca achar que um amor é absurdo demais pra acontecer, quebrar a cara faz parte da vida, mas se você não arrisca em um novo amor, hora ou outra você vai se pegar pensando: “e se eu tivesse dito sim?”.

Bem, acho que não é tão fácil assim se desligar da temática amor. A menos que você esteja andando em uma rua esburacada, aí é melhor prestar a atenção no chão.

Agora entendo o porquê dessa necessidade de falar de amor, só assim você compreende, analisa e por fim, assimila as conclusões. O amor é feio e esquisito, mas quem não é? Bota umas flores, enfeita ele todo e tente conviver com essa companhia, afinal, não vai ser nenhum pouco fácil se livrar dele, não é mesmo?