O que nos ensina o mito de Sísifo?

Sísifo, um personagem da mitologia grega, condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, toda vez que estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. Tal mito pode ser aplicado em diversas situações do cotidiano. Citarei uma delas: a eterna busca de “vencer a todo custo na vida”, isto é, às vezes buscarmos metas que jamais conseguiríamos, porém a sociedade moderna nos molda para um status quo que é inerente a uma sociedade consumista e altamente materialista.

Como nos mostra o excelente documentário do filósofo suiço Alain de Botton, Status Anxiety, estamos numa busca desenfreada para uma noção de sucesso, fama, status, sem nos darmos conta do local onde podemos, de fato, encontrar o que há de melhor na vida. Não que o sucesso seja um óbice, mas a forma que se quer chegar a ele é que acaba causando transtornos quase irreversíveis.

Em uma de sua melhores músicas, Marcelo Camelo, descreve em O Vencedor, aquele que sempre quer vitória e perde a glória de chorar. Somos doutrinados a sempre vencer, ganhar, na maioria das vezes não lidamos bem com as perdas e derrotas. Boa parte daquilo que somos foi fruto, também, daquilo que desistimos. Somos Sísifos em um mundo acelerado a rolar pedras em morros cada vez mais altos, entretanto com a pedra voltando a estaca zero todos os dias. Nosso esforço inútil está intimamente ligado ao que nos é imposto como retornável, viável e , principalmente, rentável.

A porção de felicidade está ligada realmente a isso? Não estamos cada vez mais ansiosos, deprimidos, em estado de estresse constante, não entendendo que existe todo um processo interior e exterior a nos favorecer?

Acredito que o mais importante seja tentar nos compreender enquanto parte de uma coletividade e mais conscientes de nossas limitações.

Albert Camus, em seu livro O mito de Sísifo, infere que a vida dos homens era tal como o mito de Sísifo: seguir uma rotina diária, sem sentido próprio, determinada por instâncias como a religião e o sistema capitalista de produção. No mundo administrado, levantamos de manhã, trabalhamos, comemos, reproduzimos etc., e tudo isso não faz o menor sentido, já que se refere a modos de pensar que se impõem ao indivíduo sem que ele participe da estruturação desse modo de vida, como se não tivéssemos escolhas.

Será isso inútil? Ou é a forma com que lidamos com a modernidade?

Eis uma reflexão.

https://www.youtube.com/results?search_query=alain+de+botton+status+anxiety+

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