Términos são o fim

Terminar um relacionamento nunca é fácil, é uma mudança drástica de narrativa, deixamos de apresentar dois personagens principais e ficamos apenas com um deles, um único ponto de vista, ora melancólico. Por muitas vezes hesitamos em colocar pontos finais, optamos por vírgulas e reticencias, na esperança de uma reviravolta quase que milagrosa. Afinal, o término é um ponto final, mas não no intuito de encerrar a história, mas iniciar um novo parágrafo ou capítulo.

Saber a hora de fazê-lo é crucial. Rubem Alves dizia que um bom relacionamento se constrói no ritmo em que duas pessoas jogam frescobol e não tênis. Não entendeu? É o seguinte. No frescobol o objetivo do jogo é não deixar a peteca cair, se o outro te joga ela meio desajeitada, cabe a você corrigir para que o jogo continue. Já no tênis o objetivo é dar cortadas, ludibriando o adversário. Por isso, quando a reciprocidade em concertar os lances acaba e, mesmo tentado, o outro não entende a importância de ajustar suas jogadas, melhor terminar com o jogo para não sair mais ferido.

Com o passar do tempo aprendemos que o término de um relacionamento não é o fim do mundo, mas um fim de um parágrafo para uma avaliação e reconstrução da narrativa, uma nova oportunidade. É necessária a retomada do clímax, não porque tudo que se escreveu foi perdido ou ruim, mas porque não embala mais a sua história.

Este é um momento para trazer a narrativa para a primeira pessoa, arriscar um novo capítulo, com uma toada diferente de quem se reencontra consigo mesmo e que, talvez, tenha sido negligenciado por algum tempo. Um novo capítulo permite milhares de possibilidades, encontros, desencontros e novos objetivos. Afinal, terminar é prosa, se reinventar e tentar de novo é poesia.

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