Ao amor que eu tentei ter.


Eu tenho medo de não conseguir escrever mais pra nenhuma mulher. É um medo absurdo, eu sei. Mas desde que você foi saindo da minha vida, ignorando minhas palavras, que agora não tinham nem ao menos respostas curtas, monossilábicas, nada. Desde que você me apareceu com essa paixão inesperada por outra pessoa, uma história de amor com outro homem que desprezava a arte da conquista e prezava mais o imediatismo, eu não tenho tido mais paciência para escrever. Eu que te escrevia com tanto entusiasmo e encantamento, hoje não enxergo motivos, como teus olhos castanhos ou tuas dúvidas, para escrever sequer um verso.

Você foi embora da minha vida levando consigo os lembretes que eu escreveria, as futuras cartas, os recados na geladeira, as palavras que eu leria e as frases que eu diria antes da gente dormir. Levou embora as poesias que eu escreveria vendo você acordar, as despedidas antes de viajar e as palavras que eu diria quando voltar. Tudo o que eu cheguei a escrever pra você foi apagado da minha memória, e só ficou essa angustia, a pior dor que um poeta pode sentir: A de que perdeu sua poesia, perdeu seus encantos, a razão dos versos e das rimas.

Eu só tentei ser eu e esperava que você fosse você. Tentei te conquistar à moda antiga, mas mesmo assim, o imediatismo e os romances e cupidos de plástico flecharam teu coração. Te perdi, mas tentei, juro que tentei te dar um amor que era verdadeiro e sincero.

Você foi embora, levou as chaves, levou as cores, as letras, alfabetos, bolsas e bolsas de sentimentos, levou a poesia, limpou o cofre, e me deixou os porres, e as dores em demasia…

Se sentir falta, espero que não retornes.