Hoje pela manhã olhei o calendário e lá estava ela mais uma vez. Aquela data. Uma vez por mês isso acontece e aquele número me acerta como uma flecha. Sei que para a maioria das pessoas não passa de uma data qualquer, mas para mim já significou muito. Hoje costumava ser o nosso dia. Era sempre algo muito especial, mas o silêncio do celular pela manhã me joga na cara a realidade que esse não passará de um dia comum, um almoço solitário e um jantar sentada no sofá da sala.

Ninguém para mandar chocolate e nem para me buscar ao cair da noite. No lugar disso um dia inteiro relembrando a sua rotina e tentando imaginar onde você estaria a cada momento. No fundo sei que não passa de um número bobo em uma folha de papel e que isso não deveria mexer tanto comigo, mas a saudade é um imposto que a vida cobra de quem foi muito feliz por um instante.

Então me liberto e me permito relembrar: do seu sorriso, do seu perfume, da sua covinha e da forma como os seus olhos brilhavam quando encontravam os meus. Já que é impossível não pensar, tento te transformar em uma lembrança que não seja dolorosa. Lembro-me dos nossos dias juntos e o quanto você me fazia bem. Tento imaginar como seria se esse dia você ainda estivesse comigo.

Como foi mesmo que chegamos até aqui ?

Onde foi que o amor que eu imaginava ser para a vida toda se tornou uma triste lembrança se um calendário ?

Acho que nunca conseguirei olhar para essa data como faço com todas as outras. Aquele número ali parece sempre me encarar e dizer: “Não era para ser assim”, “Não era esse o plano”. Não era mesmo!

O que sei é que amanhã o número será outro e então terei um mês para que aconteça novamente. O que me resta é suportar essas vinte e quatro horas de lembranças. Um dia inteiro para lembrar aquilo que fico outros vinte e nove fingindo que esqueci.