Precisamos falar do muro preto

Um dia desses eu me deparei com um muro preto na minha vida. Ele não tinha fim, nem pros lados, nem pro alto.

Durante alguns dias, semanas até, fiquei flertando com esse muro, pensando o que havia atrás dele, se é que havia algo, ou se não havia nada, apenas uma continuação do negro dele.

As vezes virava de costas pro muro, e fazia minhas atividades de forma bem próximas do “razoável”. Comia, encontrava amigos, dava carinho pras gatas, trabalhava, interagia com amigos. E toda vez que ficava sozinha eu podia sentir que havia algo estranho dentro de mim. Esse algo era um um vazio, um oco, dentro do meu coração, dentro da minha cabeça, que me fazia pensar apenas e unicamente em tudo de “errado” que tinha na minha vida, me culpar pelas muitas atitudes “erradas”. Durante semanas chorei, na maioria das vezes escondida achando que era um — mimimi — de gente grande mimada que nunca passou por problemas na vida.

A tristeza é normal, assim como a felicidade. A tristeza todos os dias, semanas a fio, a falta de percepção de que algo vá melhorar, que algo de bom vá acontecer não é normal. Ou até pode ser pra quem conhece ela, a minha companheira atual. Apresento a vocês: a depressão.

Estou começando a entende-la, a aceitar o tratamento, a aceitar ajuda, a aceitar que tem algo atrás daquele muro.

E em breve, se assim ela me permitir, escreverei sobre “como passei de ser uma cagona preconceituosa sobre antidepressivos” para “como ser alguém que reconhece que precisou de ajuda”

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