Mais alemães do que os alemães

Há algumas semanas, publiquei um relato sobre minha experiência juvenil nas colônias alemãs do sul do país. O foco era o racismo estrutural que permeia as relações sociais entre teuto-brasileiros e outras etnias, mas fiz alguns comentários sobre a artificialidade da suposta cultura germânica preservada pelos colonos.

A crônica abaixo, escrita pelo correspondente do jornal Die Zeit no Rio de Janeiro, Thomas Fischermann, traz a visão de um nativo alemão sobre os mesmos temas.

Meu trecho favorito:

Só que, para um correspondente de um jornal alemão do século 21, é uma sensação estranha estar em Blumenau. É como se fosse uma viagem a um museu no passado da própria nação. Não é mais bem assim na Alemanha atual, lá não tem muitas pessoas ouvindo músicas típicas de fanfarras o dia inteiro. Também creio que, na minha terra, as pessoas preferem muito mais pizza e sushi a joelhos de porco gigantescos, e preferem usar jeans em vez de andar pelas ruas com trajes típicos, como Lederhosen e Trachten.
Certo, isso não vale para algumas cidadezinhas no interior da Baviera. Em nome da transparência jornalística também gostaria de mencionar que, quando eu era uma criança de 3 anos, usei uma linda Lederhose com estampa de flor Edelweiss. Mas meus pais aboliram a Lederhose rapidamente porque uma criança de 3 anos às vezes precisa ir ao banheiro com muita urgência. Acho que se pode afirmar que, no século 21, as Lederhosen foram ultrapassadas por outras calças com fechos mais práticos.