Ei, pessoa magra!

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Alguma vez na vida você já teve que subir pela porta de trás do ônibus porque não passava na catraca? Ou percebeu que ninguém senta ao seu lado no metrô porque seu tamanho ocupa muito espaço, ou por nojo? Com que frequência (te conhecendo ou não) usam sua forma física para se referir a você sem a sua permissão?

Quantas vezes você se sentiu mal por entrar em uma loja de roupas e não ter nada do seu tamanho? Ou pior, só de parar na vitrine percebeu o olhar de julgamento e preconceito das vendedoras? Quantas vezes foi barrado na balada por não pertencer ao padrão do local? Quando foi que você se sentiu envergonhado enquanto comia em público porque as pessoas acham que você só sabe fazer isso? Algum dia alguém te perguntou como vai o seu colesterol enquanto você saboreava um Big Mac? Quando você ouviu que precisava emagrecer para arranjar um namorado, um novo emprego?

Quando foi a última vez que você usou o termo “gordice” enquanto matava a vontade de comer algo calórico?

Pessoas gordas não são doentes, ou podem até ser, mas você não é ninguém para adivinhar. Pessoas gordas têm sentimentos, autoestima. Gordos amam, se divertem, transam, consomem, pessoas gordas vivem.

E a vida delas não é da sua conta. Eu poderia listar aqui coisas que gordos sofrem desde pequenos: dietas, olhares, tratamento diferente de outras crianças e muitas, muitas cobranças, porém isso não importa porque estou aqui falando do agora.

No Brasil, mais da metade da população já é considerada acima do peso e por mais que o tamanho ideal seja discutível, a questão é que está todo mundo mais gordo e mais sedentário. O mercado percebeu isso, mas a gordofobia ainda nem começou a ser combatida como deveria. A gente ainda está pensando muito no consumo, na representatividade na mídia, enquanto crianças gordas sofrem bullying na escola, enquanto adolescentes morrem com transtornos alimentares em busca de um corpo que nunca terão.

Enquanto a gente foca na televisão, pessoas se destroem assim e para a sua surpresa, não é pela apologia à obesidade.

Por falar nisso, você não acha estranho dizer que só porque queremos que todo mundo seja livre pra levar a vida como achar melhor, estamos incentivando a obesidade no Brasil, um dos países que mais consome fast- food no mundo, perdendo para os EUA? Você não acha mesmo que o incentivo à obesidade está nas prateleiras dos mercados que colocam os piores alimentos para vender mais? Nas propagandas do Burguer King? Será que esse incentivo não está na desigualdade social?

Repense.

Repense, depois pense mais uma vez. E se mesmo assim continuar se incomodando quando ver um gordo feliz na rua, eu sinto em te dizer, mas o único doente aqui é você.