Tortura Matutina

(Serie textos sonolentos)

Repeti mantras, invoquei minhas sisters Yemanjá e Yansã…

Dormi como um anjo das 21.30 até s 8. Acordei pensando em que não poderia pensar em tomar café. Meu quarto dia de abstinência. Fiz todos exercícios yoguis que espremem um abdômen em serpentinas pantográficas acordando vísceras e assemelhados. Like a campeã de fisiculturismo diafragmático inspirei e expirei dezenas de vezes. Deitada na bola amarela com a cabeça degolada estiquei a língua num foda-se para o mundo em busca da saúde de meu sistema traqueal. Me torturei em inúmeras posturas até ficar pendurada de ponta cabeça no meu “kurunta” (cordas sado masô light yoga stuff ). Feito bruxa descabelada abri a geladeira caçando vegetais pseudo-orgânicos plus gengibre ,maçã e andinas farinhas tendência. Joguei minha poção detox verde no liquidificador. Bebi o remédio com gosto de veneno num gesto heróico. Finalizei a penitência matutina tentando meditar com técnicas mezzo aprendidas. Repeti mantras, invoquei minhas sisters Yemanjá e Yansã, rezei uma ave maria um pai nosso e acabei a cerimonia ecumênica com um “ o senhor eh meu pastor nada me faltará” pra pagar o Iptu e o Ipva que surgiram embaixo da porta milagrosamente assim que eu me desajoelhava. Tomei um advil e fui deitar semi deprimida.

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