COMO UM VENTO NA FLORESTA

Como um vento na floresta,
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.

E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.

E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento:
Sou ninguém, temo ser bom.

© FERNANDO PESSOA
30–9–1930
In Poesias Inéditas (1919–1930), 1956
Ed. Ática, Lisboa (imp. 1990)

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