O banco, o menino e o caderno.
— O nosso beijo… Foi legal.— Ele disse, sentado, fitando o chão daquele parque.
— É. — Ela respondeu, encarando o mesmo chão.
O silêncio predominava. O sol tímido penetrava entre as árvores, passando em meio aos galhos das árvores, refletindo apenas alguns raios solares nos olhos tímidos dos dois. Não tão perto e não tão longe, batiam os dedinhos no assento do banco de madeira, silenciosamente.
— Ei. Eu gosto da sua presença. — Ele disse.
— Eu também. — Ela respondia, olhando para ele. O jovem recuava o olhar, e logo ambos acabavam mais uma vez por fitar o chão enquanto o silencio ocupava o local.
A brisa do vento mexia com as folhas, e pássaros voavam silenciosamente na linha do horizonte. Afastado de todos, era fácil perceber detalhes que o tumulto normalmente não deixaria. Talvez em pensamentos tão perdidos quanto estes, ambos pensavam em como prosseguir. Suspiravam em uníssono. Encaravam-se em um único tempo.
— Eu sei que não somos tão próximos, mas temos uma química, não temos? — Ele perguntou.
— Uhum. — Ela dizia, sonificando com a garganta.
— Eu vou morrer em um mês. É um tempo curto de vida. Seria legal ter alguma companhia nesse último mês. A gente podia ver séries juntos, se beijar enquanto as cenas passam… Eu sempre quis fazer isso, sabe? Quando eu ainda tinha amigos, eu os via fazendo aquilo.
— Parece bom. — Ela dizia. — Só por um mês, então?
— Só por um mês.
A caneta caía. Movia a mão para o lado, pegando-a do chão. Feito isso, o menino fechava seu diário. Acariciava a capa, sentado no banco, encarando a linha do horizonte. Com a mão livre, batia os dedos sobre a madeira enquanto pássaros voavam silenciosamente. O silêncio era tão gélido quando o frio que daquele dia nublado de inverno vinha.
Por fim, sorriu.
