planeta lúpulo
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Sei que muitas pessoas, hoje, nesta linda sexta à noite, feriado de sete de setembro, estão na rua, em algum lugar qualquer da cidade, sentadas de frente pro amor de suas vidas. Em algum lugar qualquer não, não costuma ser em um lugar qualquer esses encontros. O meu foi no Planeta Lúpulo.
Sentar de frente daquele ser especial, que te leva pra um lugar especial, numa noite especial, não é mesmo pra qualquer um. Já faz um ano que ele veio aqui me buscar. Foi num domingo à noite, eu me lembro que passei tanto tempo na frente do espelho passando meu batom com um cotonete pra ficar bem certinho, caprichei na máscara pra cílios, tomei um banho de hidratante pra ter a minha pele caprichosamente macia naquele dia, gastei horas pra escolher se iria de vestido ou de calça, arrumei meu cabelo da melhor forma que pude e respirei fundo. Já tinha mais de um ano que não nos víamos e finalmente iríamos nos encontrar novamente.
Daquela vez parecia que tudo daria certo. Que eu ficaria ao lado de quem eu gostava, de quem eu queria, de quem eu sempre havia esperado. Mas só parecer não é suficiente pra um amor acontecer.
Hoje, um ano depois, nem sequer trocamos um oi, não nos vemos mais, nem sabemos mais um do outro. Eu não sei se ele está bem, se está com outra pessoa, onde trabalha, quais músicas tem escutado, se ainda tem insônia, se fez aquela tatuagem que ele queria, se ainda pensa em mim, se me odeia ou se tem boas lembranças. É duro não saber de nada. Não existir. É duro, mas acontece. Pessoas se afastam, por mais intenso que tenha sido. Com o passar do tempo isso desaparece, nem parece mais que foi aquela coisa toda.
Só que enquanto não passa, enquanto ainda tem só um ano, eu continuo pensando e desejando que tenha sido melhor assim. Mas eu queria dizer pra todo mundo que está sentado de frente pro amor, seja onde for, se esforce, mas se esforce de verdade mesmo. Não deixa ele ir. Não fica implicando com coisa boba. Segura na mão dele mesmo nos dias que ele estiver um chato da porra. Manda oi, manda meme, manda um áudio, liga, manda nude, manda a merda, mas manda. Não fica parada, não deixa ele ir aos poucos. Não foge dele porque acha que tudo irá se resolver alguma hora, porque só vocês são capazes de resolver. Não evita falar o que te incomoda, não se cale, não deixe passar oportunidades de vê-lo, pega um avião se for preciso e pousa no telhado da casa dele, faz o que for possível. E se ele tentar fugir pelos mesmos motivos, segura na gola da camisa dele, beija a boca dele, fala alguma coisa que ele goste de ouvir, canta, faz uma serenata, escreve um poema, um livro, faz uma loucura, mas faz.
Não deixa o seu amor ser alguém que te exclui. Que finge que você não existe. Que não escuta mais a sua voz nem lê as suas palavras. Não deixa.
E se depois de fazer tudo isso, de revirar o mundo, de chegar no seu limite, mesmo assim, ele quiser ir, deixa ir. Deixa ir sem esperança, porque você já vai ter feito tudo que pode. Deixa ir em paz, sem ressentimentos, sem parecer que tudo que viveram juntos foi ruim e não valeu a pena.
Faz de tudo, mesmo se for pra perdê-lo. Faz de tudo pra não ficar nessa. Nessa derrota, nessa tristeza, nessa saudade, nessa vontade de fazer algo ainda. Mesmo silenciada e ignorada. Não seja uma covarde orgulhosa, não com o seu amor. Não como eu fui com o meu.
Mês passado eu passei na porta do Planeta Lúpulo. Meus olhos se encheram de água e eu agradeci por estar sozinha, o motorista do uber não iria perguntar o porquê de eu estar chorando. Desci do carro aos prantos. Não quero mais ter que passar por lugares que me lembrem daquela noite de domingo. Dessa vez quero ser ainda mais covarde e fugir de tudo, de tudo que me faz lembrar o meu amor. Os lugares, os sabores, os aromas, os detalhes.
Minhas malas já estão prontas. Eu quero recomeçar. Quero lutar pelo que ainda dá pra lutar. Quero um novo lugar pra sentar de frente pro meu novo amor e segurar bem forte a mão dele. Olhar bem no fundo dos olhos dele, sejam verdes, castanhos, azuis, acinzentados. Mandar oi, mandar memes, mandar presentes, mandar pro inferno. Fazer de tudo pra que ele fique, mesmo me achando estranha e doida. Mesmo que ele seja um estranho maluco. Fazer de tudo pra acontecer. Pra gente poder ter aquele papo estranho de casar, comprar uma casa e ter filhos e de fato casar, comprar uma casa e ter nossos filhos. Pra querer acordar do lado dele todos os dias. Sorrir com as conquistas dele e chorar com as suas perdas.
Pra poder ser o amor do meu amor.
Pra fazê-lo sentir o meu amor, e não o meu medo, minhas inseguranças e meus caprichos idiotas.
