Pelo ralo
Aug 22, 2017 · 2 min read
O interfone toca. Penso que, a essa hora, só pode ser pra dizer que vão fechar a água por algum motivo. Paro o meu texto e vou atender:
- Dona Angélica, o rapaz da CEG está aqui pra cortar o seu gás. Fala com ele…
- A senhora tem o comprovante do pagamento do mês seis? Eu vim pra fotografar o corte do seu gás ou a fatura paga. Não serve extrato bancário.
- Moço, por favor, não tenho como provar os pagamentos com a fatura. Faço tudo pela internet. Se a empresa permite que a gente pague pela internet, deveria aceitar o extrato como comprovante…
- Então vou ter que cortar e a senhora vai resolver isso depois na loja da CEG, que a essa hora está fechada.
- Hummmm?!! – Em pânico e pensando no frio que está fazendo – Como assim?!! Eu pago, novamente, a fatura. Tiro uma segunda via agora, pago, o senhor fotografa e não corta o meu gás. Depois, resolvo na loja essa duplicidade, tá bom? – Apelo pra tentar escapar do corte.
- Não funciona. Vou ter que cortar…
- Moço, espera aí. Estou descendo.
- Só vou esperar uns minutos.
Saio correndo do meu apartamento no 16o andar. O elevador demora. Só tem um funcionando… Do celular, ligo pra portaria. Segundos de apreensão.
- Ailton, Angélica, do 1606. O cara da CEG?!! – pergunto, finalmente, entrando no elevador.
A ligação cai. A minha apreensão sobe. Mil ideias: como vou evitar o corte? O jeito é tomar banho, hoje, na casa de alguém ou na academia. E, amanhã, tentar resolver a parada.
- Ah, dona Angélica, a senhora a está me ouvindo agora? – pergunta o porteiro Ailton.
- Sim. Estou no elevador, chegando aí. Peraí…
- Ihhh, dona Angélica, era o apartamento errado. Não era com a senhora.
Nem cheguei a descer na portaria. Apertei o meu andar. Cheguei em casa e fui direto tomar um banho morno.
