5 lições que aprendi com a reprovação no The Voice Brasil

Desde as fitas cassetes, no início da carreira de Sandy e Júnior e na época que surgiram os micro-systems, lá estava eu, soltando a voz nas reuniões de família, no colégio e nas celebrações de igreja.

Da década de 90 em diante, cantei em lugares inimagináveis, desde casamentos a velórios (estou usando um tom sarcástico agora :P).

Elogios vinham de toda a parte: “Essa menina tem um dom.”, “Que voz!”, “Canta mais pra gente!”. Vou te dizer que esses comentários deixavam a moça aqui, muito feliz e isso tudo me BASTAVA.

Foi assim que cavei minha própria cova e caí no que chamam por aí de zona de conforto.

Isso mesmo, sou humana e humanos gostam de conforto, só que esse danado custou reprovações em concursos e falta de oportunidade em fazer shows.

Em 2012 cheguei bem perto de ir para o palco do The Voice Brasil. Foram 500 vídeos selecionados, dentre 10.000 inscritos, ou seja:

Eu estava dentre os 5% melhores daquela edição.

Meu vídeo de inscrição no programa [Rita Lee — Agora só falta você]

Quer saber por que você não me viu na TV Globo? Vou te contar!

Espero que essas lições que aprendi possam ajudar na sua carreira (independente da área) assim como está contribuindo para a minha.

1 — Dom não traz a excelência, técnica sim

Eu tinha o hábito de me calçar no dom e somente nele. Minha mãe, irmã, tios e primos cantam também e eu pensava: “sou privilegiada!”. Mas a questão é que para alcançar aquele agudo “da hora” e aquela terceira ou quarta voz, eu precisava de técnica.

Você pode até ser bom no que faz, mas definitivamente, ser bom não basta.

2 — Crítica nos faz crescer, aceita que dói menos

Tá bom, dá um nózinho na garganta aquela crítica alheia, mas o nó passa e o comentário que te magoou vai fazer você repensar suas atitudes, ou pelo menos deveria ;)

Tente não levar para o lado pessoal e a use como uma forma de crescimento. Você será ainda mais feliz, e ainda de brinde ajustará alguns detalhes que te tornarão o melhor (ou um dos melhores) no que faz.

Olhar atento e crítico do cantor da banda Vigário Jack para mim.

3 — Para você ganhar, outro tem que perder (e vice-versa)

Sempre odiei competições, não gostava de perder, simples assim. Acho que é porque lembrava da minha mãe falando: “tenho uma dó de quem perde!”. Aquilo ficou martelando na cabeça e acho que fiquei com medo de desapontar quem eu mais gostava.

Mas como vou saber, se não tentar? E tentar, e tentar? Claro, você não deve continuar sem ajustar o que falhou da última vez.

Reavalie, se reinvente, não cometa o mesmo erro de antes, mas tente, de novo, novamente, mais uma vez (quanta redundância!).

4 — Fazer o que bem entender ou atender o que o mercado pede?

Fico pensando se todo o roqueiro é igual. Porque todos que conheci (inclusive eu), só canta esse gênero musical, no máximo um MPB, um Jazz ou Blues.

Será que esse tipo de música cai bem para a minha voz? O mercado tem demanda para mais um cantor nesse estilo?

Estudar o mercado é lição básica e é óbvia, mas muitas vezes o óbvio não é tão óbvio assim (adoro ser redundante).

Resumindo, não seja aquela pessoa teimosa e murrinha que fui anos atrás (tá, às vezes ainda sou, mas só às vezes).

5 — Crie oportunidades, se não der certo, crie outras

Em mais de 20 anos de carreira (my god, tudo isso?), participei apenas de 3 concursos. Um deles cheguei na final entre 10 candidatos, outro fiquei entre os 5% melhores, e no terceiro fui reprovada logo de cara.

Sabe o que chamou mais atenção ao escrever o parágrafo de cima? É que por mais que eu tenha acertado inúmeras vezes, foquei no pior resultado. O terceiro concurso que participei fez eu desistir de tentar outros, ou ainda, me desmotivou a investir de outras maneiras na carreira de cantora.

Focar seus pensamentos nos resultados positivos, vai te dar ânimo para: aperfeiçoar sua técnica, aceitar melhor as críticas, perder com sabedoria, estudar o mercado e criar oportunidades.

E você? Tem alguma lição que aprendeu na escola da vida? Compartilha no comentário, será um prazer ouvi-lo ou ajudá-lo com alguma outra dica ;)

Sou Aníbia Machado Giusti, analista de dados, entusiasta de antropologia cultural, história, viagens e cantora.