Será o fim dos museus! E o que isso muda na minha vida?

Aníbia Machado
Sep 9, 2018 · 4 min read
Foto: VisualHunt

Na minha vida de historiadora, muda tudo! Mas, e na vida de quem não vive disso e nem pretende tirar o sustento de qualquer meio ligado à preservação cultural do país?

Muda tanto quanto a minha! Você quer saber o por quê?

Logo abaixo defenderei minha tese, mas deixa eu te contar porque soou dramática, porém verdadeira, a afirmação “Será o fim dos museus!”, expressa no título desse texto.

Nos últimos anos, tragédias ocorreram em diversos desses prédios, como o mais recente incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro (2018), Museu da Língua Portuguesa (2015), Museu de História Natural em Minas Gerais (2013) e o principal Centro de Pesquisa de Répteis do país (2010). Preocupante, não é mesmo?

Mais uma vez você pode dizer: It doesn’t matter! E por vezes devo concordar em um ponto com você:

Museus são cansativos e nada atrativos

Mesmo me considerando amante da história dos mais diversos lugares e povos do mundo, ainda assim, me canso na metade da visita a um museu.

Vamos combinar que é muita informação para assimilar, mas é verdade também que, se conheço bem a história dos objetos expostos (sim, historiadores não conhecem toda a história do mundo!), a visita flui de uma maneira leve. Com um guia, a visita é ainda melhor!

Em janeiro de 2012, quando conheci o Museu Nacional no Rio.

Me pego pensando se os museus são boring de fato, ou se os costumes desse povo — tão brasileiro, de querer as informações mastigadas e se fadigar com a leitura de um livro com 100 páginas — não permite gostar desse arsenal de conhecimento, concentrado em um só lugar.

Tá, mas o que muda para você?

Se não curte ir ao museu, tudo bem, ninguém é obrigado a nada. A questão aqui é a importância da preservação do patrimônio cultural deixado pelos nossos antepassados.

Você ainda pode indagar, como várias pessoas já me questionaram, em diálogos por aqui e por ali: “não quero saber do passado, o que importa é daqui para frente!”. Ledo engano, meu caro, porque:

estudamos o passado para entender o presente e com base nisso, projetar o futuro.

O Museu Nacional abrigava raridades como o esqueleto do Maxakalisauros, um dinossauro herbívoro que percorria o sertão há 80 milhões de anos, e o crânio de 11 mil anos de Luzia, o mais antigo brasileiro conhecido.

A tecnologia avança freneticamente e aliada ao trabalho do arqueólogo, essas coleções que estavam armazenadas nesse e em vários outros museus espalhados pelo país, seriam reexaminadas, o que possibilitaria nos trazer novas evidências e teorias, alterando o rumo da ciência e de como enxergamos nossa história.

É aí que todos nós, brasileiros, somos impactados. Quantas perguntas sem resposta queimaram nesse último domingo, junto com a antiga casa imperial :(

Quem é o culpado?

Não hesitamos em falar que a culpa é do governo e o infográfico abaixo comprova a majoritariedade dessa afirmação.

Não entenda que discordo dessa teoria, mas saiba que temos mais culpados por aqui.

Um passeio de domingo ao shopping poderia se transformar em uma visita a um museu da cidade. Pense que essa simples troca, te isentaria de gastos desnecessários e de lambuja, você aprenderia mais sobre a história local, incentivando a preservação do seu patrimônio (sim, é seu, é nosso!).

A exemplo dos ingleses, que doam 0,01 centavo para colaborar com a restauração de um quadro ou de uma sala — deixando seus nomes como contribuinte desse feito — poderíamos nos organizar para ações simples, mas louváveis, como essa.

Você paga 500 vezes esse valor só para estacionar seu carro no shopping. Já refletiu sobre isso?

Por último e ainda mais importante do que achar culpados, é aproveitar a oportunidade para mudar a realidade do país, estudando e escolhendo candidatos que propõem incentivos, como esse que vos falo :)

O que me diz dessa ideia? Acha que vale à pena lutar por essa bandeira? Ou museus nem são tão importantes assim?

Sou Aníbia Machado Giusti, analista de dados, entusiasta de antropologia cultural, história, viagens e cantora.

Aníbia Machado

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História | Marketing de Conteúdo | Dados para o Bem | Música

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