Adeus ano velho, feliz ano novo
Retrospectiva 2015 e a esperança de 2016
Tenho lido tantas reclamações quanto ao ano de 2015 que realmente me sinto muito sortuda por ter tido um ano bom. Para falar bem a verdade, meu ano foi ótimo, provavelmente o melhor até agora (torcendo para que 2016 quebre este recorde).
Metamorfose, não há palavra que defina o meu ano melhor do que essa. Foi exatamente isso que vivi em 2015: mudanças, transformações, revelações. Sabe aquela lagartinha que passa a vida toda se esquivando, se escondendo, bem na dela, quietinha e feia, com medo de falar, medo de tudo e de todos? Chega um dia que essa lagartinha entra no seu casulo, na sua mente, entra na sua essência e esquece absolutamente tudo o que há ao seu redor. Entra em um momento único, mágico e importantíssimo: o seu (re)nascimento. Um período em que, livre de qualquer influência exterior, a lagartinha pode pensar por si só, ver e rever seus conceitos, se desmontar por inteira, se perder. E, então, começa a se refazer. Juntando suas peças — não aquelas que colaram à força em seu corpo, ou que lhe disseram ser bonito carregar, mas apenas aquelas que ela mesma quer para si. Algumas, antigas, ainda ficaram e outras, novas, foram acopladas. E, assim, aquela lagartinha se torna uma borboleta: forte, bonita, cheia de coragem para mostrar aos outros o que sempre quis esconder, com medo do que fossem pensar. E hoje essa borboleta pensa tão alto, tão livre e tão intensamente que tudo o que quer é mostrar, ao maior número possível de pessoas, quem ela é e o pensamento que adquiriu. E todas aquelas feridas, todas aquelas mágoas e todas aquelas decepções que antes a lagartinha carregava, que pesava tanto e trazia tanta dor, hoje ela usa como força, como exemplo, como superação. Hoje a borboletinha usa sua história não para se lamentar: mas para mostrar o quanto é forte, o quanto é capaz, o quanto é merecedora. Eu fui essa lagartinha. E, hoje, eu sou essa borboleta. Essa borboleta que, ainda tímida para algumas coisas, não tem medo e nem vergonha de dizer o que pensa, de confessar os seus erros e de sim, se orgulhar de cada virtude que reconhece ter.
Eu não mudei da noite para o dia. Meu cabelo não foi de loiro e quase na cintura para um joãozinho castanho escuro do nada, não deixei a Igreja Adventista do Sétimo Dia para parar no ateísmo em um estalar de dedos, não me descobrir preferindo garotas a garotos em um simples piscar de olhos. Tudo isso aconteceu em fases e exigiu uma série de situações, nada disso foi programado ou escolhido, aconteceu natural e espontaneamente, consequência de uma paulada de sentimentos e vivências. E não me arrependo de nada, tenho orgulho de quem eu sou, dos caminhos que segui e de onde estou hoje.
Esse foi o meu ano. Se hoje eu sou livre, se hoje eu sou quem eu sou, foi fruto de muitos meses, de muito pensar e, acima de tudo, de muito foda-ses que tive que ir atirando pelo caminho. Chega uma hora que você precisa se desmontar e remontar a si mesmo, sem medo da sociedade, da família e, inclusive, do deus em que você acredita. Pois um deus que não permite que você se descubra, não é um deus.
Eu espero, feliz e esperançosa, por um 2016 com o dobro de alegrias que eu tive em 2015. Com oportunidades de um futuro melhor, com meu punhado de amigos verdadeiros, minha família maravilhosa que está sempre ao meu lado e a minha namorada, que faz parte dos dois grupos anteriores e ainda virá a fazer parte de muito mais na minha vida.
Um poeta disse uma vez que perder-se também é caminho. Em 2015, eu me perdi. E foi me perdendo que eu pude me encontrar. Eu me encontrei, e espero que, em 2016, cada um consiga se encontrar também — não há nada melhor do que isso: a certeza de que você é você mesmo e de que está onde realmente é o seu lugar. Quem se encontra, nunca mais se sente perdido, afinal, a nossa mente é o nosso lar.