Chuva

O calor do ônibus me trouxe um conforto imediato, assim que sentei na poltrona macia e pouco limpa. Na janela, suja de terra, linhas transparentes cortavam o vidro frio, formando caminhos de água no meio daquela sujeira. As gotas caíam, umas mais apressadas que outras, e me pus a observá-las, apostando corrida entre uma gota e outra e admirando, com um ar um tanto quanto filosófico a respeito daquilo: uma gota que fina, se finda antes mesmo de concluir sua jornada através da janela; uma outra gota que corre apressada a encontro de outra gota logo abaixo formando, assim, uma única gota, que continua seu sentido rumo abaixo, limpando o vidro enquanto vai de encontro ao inevitável. E há ainda mais uma, lá em cima, desce seu caminho solitário e frio, até o fim daquele vidro sujo e morto, de encontro ao nada. E, assim, segue nossa vida, ora acompanhados, ora sozinhos, seguindo pelo único caminho que parece haver na vida: o fim. Às vezes prematuro, às vezes tardio; trágico ou glorioso; mas, inevitável.

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