coração-despensa

Quantos amores fracassados cabem num coração?
Quantas dores e rancores podem ser empilhados?
E quando o espaço acaba, a gente se joga num caixão?

Quanto amor cabe num coração?
Quantas risadas e quanto carinho podem caber?

Quantas facadas um coração aguenta?
Será que nele cabe mais que na despensa?

Ainda não descobri a resposta certa
Mas guardo tanta coisa, além de amor
Que algo me diz que ele já não mais aguenta
Tanto sentimento manchado pela dor

São tantas marcas e tantas lembranças
E aquela agonia que eu já não aguento
Parece herança
De uma vida vivida no preto e branco

Mas quanto disso aqui sou eu?
E quanto disso aqui não deveria me pertencer?

O peso sou eu que acumulo
Mas busco a culpa em outro ser.

Separo as coisas por ordem de importância
Risadas, família, amigos e eu mesma
Até que sinto renascer a esperança

Mas no seu auge sempre surge
O conhecido sabor da dor
E todos os sentimentos ruins
Todo o choro e todo o rancor
Arrancam a felicidade de mim

E numa questão de segundos
Estou no chão

Quanta luz cabe em um coração?
Quanta luz pra iluminar a escuridão?

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