culpa e orgulho

Hoje de manhã, como acontece três vezes na semana, fui com meu pai para a parada de ônibus. Eu, com destino à faculdade e meu pai, indo para o trabalho. Ele sempre deixa o carro na casa de um primo nosso, mas eu nunca vou até lá, sempre desço na parada de ônibus. Eu estava descendo do carro quando meu pai pediu pra que eu levasse uma sacola com ovos e roupas pra ele, eu concordei. Mas, daí, ele perguntou: “Leva pra mim? Não tem vergonha de levar?…” e aquilo meio que me magoou. Dias atrás ele me fez a mesma pergunta, quando eu disse que não queria dinheiro pra comer na faculdade, que eu levaria lanches de casa. E isso me deixa mal. Porque é óbvio que eu não tenho e nunca terei vergonha. Eu tenho orgulho. Orgulho de ser filha de um cara que trabalha mais de 10 horas por dia, ganha pouco mas mesmo assim sempre se manteve honesto e educou tão bem a mim e ao meu irmão. Orgulho de estar estudando de graça em uma universidade privada, por mérito meu. Orgulho de dizer que eu saio do Passo Fundo às 6:40 pra uma aula que só vai começar às 9h.

Só que, sempre que meu pai faz essa pergunta, eu lembro daquelas velhas modas de viola, que contam histórias (que sempre me roubam lágrimas) de filhos que se envergonham de seus pais. Eu não tenho motivo nenhum pra sentir vergonha dele, eu queria que ele entendesse.

Me dói muito saber que a mente dele cria a possibilidade de eu me envergonhar de ser quem eu sou, de ter o que eu tenho, de não ter muitas coisas.

É claro que a faculdade é um objetivo por mim mesma, pelo meu crescimento e meu futuro, minha profissão e realização de outros projetos. Mas, o que mais me dá forças pra levantar todas as manhãs, não sou eu. Não é por mim. É pela minha família. É pelo meu pai. É por quem eu sei que torceu por mim desde o início e por quem eu sei que estará do meu lado até o final dessa jornada. Pra dar orgulho pra minha família, pra minha namorada, pro meu pai, pra essas pessoas que eu fico sem reação quando começam a me elogiar pros outros. Porque, de certa forma, eu não mereço todos esses elogios. Eu não cheguei aqui sozinha. Quem merece são as pessoas que me apoiam, que me dão força, que são o motivo pelo qual eu tenho vontade de ir além.

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