Precisamos falar sobre as nossas desilusões
Daia Gualtieri
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Daia, seu texto despertou novos sentimentos em mim — a visão (escrita) que eu precisava para minhas reflexões. Estou num processo de reconstrução interna e, por isso, venho meditando bastante sobre relacionamentos passados e no que eles contribuíram (positiva e negativamente) para formar quem eu sou hoje. Faço isso não apenas por mim, mas para saber ser melhor em meu relacionamento atual. Explico: todos os meus relacionamentos passados foram turbulentos, marcados por 1. imaturidade 2. abusos psicológicos e 3. traição. Por conta disso, eu não mantenho amizade nem contato com nenhuma das pessoas com quem me relacionei afetiva e duradouramente. Além da minha incapacidade de confiar nas pessoas, é claro. Mas a minha namorada já é diferente: ela lida com todxs xs ex-namoradxs de uma forma excepcionalmente natural e amigável, e eu meio que não sei lidar com a maturidade dela por conta da minha imaturidade com relação aos meus próprios relacionamentos, assim como muitas vezes ela fica sem saber como lidar com o meu jeito de lidar com términos: esquecendo que tal relacionamento existiu.

Tenho tentado, com a ajuda de muita meditação, muito pé no chão e principalmente exercício de autoconfiança e confiança nas pessoas, entender que quem passou pelas nossas vidas o fez com um propósito e, mais importante: é impossível apagar isso de nossas vidas, memórias e de quem somos. Não adianta negar o que existiu, sendo bom ou ruim. De certa forma e cada um com o seu jeito, cada relacionamento nos trouxe algo ou levou algo. Nos ensinou algo e como tu falou: o vazio foi necessário para nos encher e nos transbordar.

Penso que tanto eu quanto minha namorada aprendemos muito com cada pessoa que passou pelas nossas vidas e que é natural que eu as repele por conta de suas atitudes (mas não é normal querer apagá-las) e que é ainda mais natural que ela nutra pelos ex-relacionamentos dela um carinho pelo tempo que passou e que foi legal.

Foram ciclos que se findaram, mas que não precisam ser extintos. Estão ali, pra sempre, porque o que nós fomos também é importante para reconhecer quem nós somos.

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