desculpe o transtorno, preciso falar sobre mim

— e sobre meus transtornos

Há anos eu me sinto diferente do resto das pessoas. Não apenas diferente, não apenas tímida, não apenas sensível demais. Mas sinto um buraquinho aqui dentro. Esse buraquinho guarda coisas ruins. Mas eu sempre soube lidar com ele, escondendo-o tão bem que às vezes nem eu lembrava que o tinha. De uns meses pra cá, esse buraquinho cresceu. De uns meses pra cá, tenho me sentido estranha dentro do meu próprio corpo, tenho vontade de tirar umas férias da minha própria cabeça, da minha vida.

Minha desconfiança em relação às pessoas aumentou significativamente e tenho me afastado de parentes e amigos de uma forma como nunca havia feito. Tenho brigado muito com minha namorada, coisa que era raro acontecer. Tenho me sentido 8 ou 80 o tempo todo, ou muito triste, ou muito brava, ou muito leve. Nunca normal. Começou com episódios aleatórios de oscilação de humor que aconteciam a cada 20 ou 30 minutos. Mas foram se tornando crises. Tenho brigado toda vez que saio com amigos. Tenho me sentido mal toda vez. Tenho tido surtos e no último eu bati numa pessoa que eu amo. Há semanas venho tentando pedir ajuda mas não consigo.

Eu bebo pra fugir de mim mas é bebendo que eu me encontro e tudo piora dez mil vezes. Mas eu consegui, finalmente, conversar com meu pai sobre isso e terça eu vou no médico.

Eu perdi o sentido de realidade e isso é com certeza a pior coisa que aconteceu. Tudo me incomoda, me irrita, me magoa. Mas eu não sei se realmente é algo ruim ou se sou eu que enxergo tudo ruim. Eu não confio em mim mesma e por isso é difícil me livrar de relações familiares tóxicas ou perdoar pequenas desavenças familiares. Porque eu me sinto totalmente perturbada e sem noção de que absorvo a realidade como ela é.

Esse texto é muito pessoal e eu o escrevi porque me sinto na obrigação de falar aos meus amigos sobre isso.

O Setembro é amarelo mas o meu tá sendo cinza.

Pensamentos autodestrutivos jamais invadiram minha mente e ultimamente eles têm me bombardeado.

Eu gostaria de confiar nas pessoas para conversar sobre isso mas confio em poucas. As pessoas com quem conversei me ajudaram muito. Eu converso pouco sobre isso com a minha namorada porque ela tem os próprios problemas e não quero atormentá-la, não quero que ela pense que vou deixar isso me destruir.

Pois eu não vou. Eu vou cuidar de mim.

Mas eu estou numa fase chata. Ainda não sei exatamente o que está havendo mas assim que descobrir, eu conto. Peço desculpas e a compreensão dos meus amigos.

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