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eu só peço amor

“eles me proibiram de te ver”
“amor, solta a minha mão”
“tô com vontade de te beijar, mas não posso”
“não encara e continua caminhando”

“posso participar?”
“ah, mas tu é tão linda, que desperdício”
“tu nem parece ser machorra”
“não precisa ficar se beijando”
“ser lésbica tudo bem, mas não precisa se vestir como um homem”
“para de querer ser homem”
“tu só é lésbica porque não encontrou o cara certo”
“vem cá que eu vou te fazer virar mulher”
“que graça tem mulher com mulher?”
“mas se tu nunca ficou com homens, como vai saber que não gosta?”
“mas tu sempre ficou com homens, daí agora resolveu virar sapatão?”
“ah, essa é a amiga da minha filha”
“na minha casa, não!”
“é só uma fase”
“eu acho tão gostoso ver duas mulheres se beijando”
“meu sonho é comer vocês duas”

“queria te apresentar pra minha família, mas…”
“amor, tem que ser escondido”
“eu também tô com medo, mas vai ficar tudo bem”
“eles estão nos olhando muito”
“já foram embora?”
“eu te amo, mas a gente não pode ficar juntas.”

Essas são apenas algumas das milhares de frases nojentas, taradas e preconceituosas que ouvimos todos os dias pelo simples fato de amar outra mulher. Numa realidade onde somos criadas e educadas para nos odiar e competir umas com as outras, se amar e se desejar é realmente inaceitável. Sapatão não é diversidade: sapatão é resistência, sapatão é amor. É segurar o amor com uma mão e a espada com a outra. É ter medo de andar sozinha e mais medo ainda de andar acompanhada. É sofrer preconceito por todos os lados: família, amigos, emprego. É ter que mentir que é só uma amiga, é não poder pegar na mão, é ter instagram bloqueado pra família não ver as fotos. Feliz de quem tem uma família que aceita, que ama e que luta junta. Eu tenho essa sorte, quase 100%. Mas sei que é exceção. A maioria das garotas enfrenta o preconceito dentro de casa, vivendo sob ameaça de serem expulsas, internadas, agredidas e violadas. Estupro corretivo. Violência. É ter a sexualidade questionada, desmerecida, esmagada. É ser invisível. É ser acusada de egoísta pela família, de pecadora por deus, de anormal pela sociedade. É sofrer não apenas com a homofobia, mas principalmente com a misoginia. A ira de um mundo machista que não aceita que mulheres amem outras mulheres, que mulheres não estejam aos pés dos homens, que mulheres não se matem, mas se beijem, se tenham, se completem. Deve ser dificílimo para um homem perceber que uma mulher é muito mais capaz do que ele, é difícil aceitar que seu majestoso e glorioso membro não seja tudo isso. Que não seja nada disso.

Resistam, manas. A luta é árdua, o caminho é longo, o medo e a violência andam ao nosso lado, mas se amem. Não desistam. O amor é nosso direito. Amor e resiliência a todas nós. Feliz dia da visibilidade lésbica.