gratidão

no vazio é que se encontra tudo o que se busca

Eu acreditava na existência de um só Deus. Um Deus benevolente e grandioso, que estava sempre a ouvir as lamúrias de seus filhos. Um dia, eu percebi que eu não cria, realmente, nesse Deus. Eu tentava, eu queria crer. Porque parecia o certo, porque eu queria senti-Lo, porque eu não queria ir para o Inferno já que o Diabo é tão mau. Então, percebendo essa minha ansiedade por algo que parecia fugir de mim, eu juntei todas as minhas frustrações e toda a minha raiva e as juntei em uma única frase: Eu sou ateísta.
Durante longo tempo me esquivei de quaisquer conversas que abrangiam esse mundo espiritual, desde astrologia até possessões. Para o meu próprio bem, eu não quis me comprometer com nenhuma religião organizada, com nenhuma crença e nenhuma forma de suprir o que eu pensava já ter saciado. Achava que ter alguma fé era sinônimo de se iludir para se conformar, confortar.
Por um tempo essa ideia realmente me satisfez. Mas não demorou muito para que eu me sentisse vazia e sozinha. Acredito que a espiritualidade — e não a religião — seja um caminho para o autoconhecimento e por isso tantas pessoas a buscam. Mas eu não acredito em um Deus e nem quero ser membro de uma religião organizada, só queria buscar uma forma de me encontrar e de compreender a grandiosidade do Universo. E então encontrei a Wicca. E então, focando nela, criei meu próprio senso de espiritualidade, o qual junta tudo e se firma em nada. Encontrei a paz de espírito e a clareza que por anos tentei encontrar em meio a hóstias ou louvores. Não estou menosprezando. Estou dizendo que cada um deve procurar caminhos para se encontrar. Muitos se encontram em igrejas evangélicas, outros na Umbanda. Eu me encontrei na bruxaria.
Eu não acredito em nenhum Deus e eu não duvido da existência de nenhum deles. Ontem, eu orei. Pela primeira vez em muito tempo, eu fechei meus olhos e me ajoelhei. Não busquei Jeová, nem Allah, nem Hécate ou Ogum. Apenas dirigi minhas palavras e minhas energias ao Universo, a todos os deuses e a nenhum deus. A quem quisesse me ouvir. E eu sei que, em algum lugar, alguém me ouviu. Não sei quem, não me interessa quem. Só interessa que eu sei que fui ouvida. E hoje, hoje eu demonstrei minha gratidão: eu orei em silêncio, eu cantei um louvor, eu coloquei uma música celta para tocar, eu acendi uma vela. Eu fechei um círculo mágico e orei para que a chama daquela vela e a gratidão por ela simbolizada chegue ao deus ou aos deuses que tenham me ouvido, ao Universo, que a chama daquela vela chegue ao nada e encontre lá um sentido: a simples fé.
E hoje eu me sinto plena. Hoje eu sei que no aparente “nada” eu encontrei o tudo que poucos buscam, mas que todos deveriam sentir. A Luz não precisa ser alguém específico, ela não é alguém específico; ela apenas ilumina, independente da forma que você dê pra ela.