Maldito eu: decifra-me ou devoro-te

Me afogo em parágrafos e engasgo em diálogos

Poucas palavras

Saem da minha boca

Com a confiança

E concordância

Como eu gostaria que saíssem

Sem gaguejar,

Nem hesitar

Nem tampouco tremer de nervoso.

Poucas pessoas

Despertam em mim

Coragem e desejo

Que extinguem todo o meu medo

Medo de falar e ser ouvida

Ou de falar e passar despercebida

Mas pessoas insensíveis

Vocês não se dão conta

Dos meus monstros invisíveis

Que de mim tomam conta

E não deixam que eu fale

O que minha mente sente

O que meu sentimento pensa

O que meu eu é

Em que acredito

Ah, verbo maldito

Temer, temer e temer

Eu me expresso

Em linhas,

Que tortas

Chegam ao meu destino certo

De voz incerta

E fala lenta

Se você não me pode ouvir

Leia-me

E lendo,

Decifra-me

Ou devoro-te

Com a fome insaciável

De um poeta mal compreendido

Lido

E mal ouvido

Mal visto

Maldito.

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