Alegoria da Escadinha

o ciclo de confiança-decepção em relacionamentos interpessoais

Eu tenho o pensamento de que relação é construção. Pensando nisso, consigo imaginar o processo de construção de intimidade e confiança na relação como uma escadinha. A cada degrau que subimos, mais estreitamos nossa relação, mais ficamos íntimos de alguém. Quando terminamos nossa subida, vemos que sobre nossas cabeças há uma forca. Sim, uma forca. Se confiamos no dono da escadinha, colocamos essa corda em volta do nosso pescoço. Isso é a confiança. É colocar a cordinha no pescoço por acreditarmos que a pessoa à nossa frente não irá pensar em chutar a escadinha. Ficamos ali, felizes da vida, abrindo nossa alma pra uma pessoa, porque sabemos que ela quer o nosso bem.

Mas daí a pessoa chuta a escadinha e começamos a sufocar. Sem ar, nos debatemos, desesperados. A pessoa tem duas opções: ou ela vira as costas e nos deixa ali, ou ela pede desculpas e recoloca a escadinha sob nossos pés.

Se a pessoa opta pela segunda opção — e considerando que perdoemos essa pessoa, claramente poderemos ver que a escadinha já não é mais a mesma. Com o chute alguns degraus quebraram e os pés já não estão tão firmes assim. Nós, os enganados, temos tendência a duas coisas: ou ficamos com medo de pisar na escadinha e apenas colocamos o dedão do pé, com medo de que a escadinha caia e novamente nos machuquemos, ou pisamos firme nela. O que temos que entender, diante disso, é que existem dois tipos de pessoas: as que se esforçam para consertar a escadinha, de modo que tenhamos segurança pra pisar firme nela novamente; e as que não estão nem aí tanto pro nosso receio quanto pra tal escadinha toda renga. E é com o segundo tipo que devemos tomar cuidado: essas pessoas só recolocam a escadinha por obrigação, só por “aparências” porque na verdade não se preocupam com o nosso bem estar nem com as feridas que ainda estão abertas, nos chamando de exageradxs. Elas podem vir a chutar novamente a escadinha e a recolocar no lugar diversas vezes, mas sempre vai acabar nos machucando cada vez mais. O que precisamos é aprender a reconhecer quem são essas pessoas e tirar a corda do nosso pescoço, para não ficarmos doentes. Nem sempre podemos confiar piamente nas pessoas, por mais que as amemos, por mais que pareça que elas também nos amem. A lição mais importante é: quem nos ama não vai chutar a nossa escadinha. Pode até acontecer que nos chutem uma vez e, ao ver nosso sofrimento, realmente se arrependam. Então, melhorando a primeira frase: QUEM NOS AMA NÃO VAI CHUTAR A NOSSA ESCADINHA DE NOVO, porque quem nos ama se importa com o que sentimos, com o que pensamos e compreendem nossas mágoas, dores e experiências passadas. Quem nos ama vai querer cimentar a escadinha pra que nunca corramos o risco de sufocar. Quem nos ama vai subir na escadinha e amarrar uma corda no próprio pescoço. Quem nos ama vai ser a escadinha e nos segurar nos ombros. Quem nos ama vai nos roubar beijos, mas jamais roubará a nossa vida.

não sei se consegui expressar nesse texto e organizar em palavras a ideia bem definida que eu queria passar. Mas juro que no ônibus, enquanto eu pensava na confiança como essa alegoria, fez sentido pra mim. Se fez sentido pra você, deixa um coraçãozinho. E se não fez, deixa um comentário aqui embaixo pra gente debater o assunto. Se fez sentido e quer dar um oi por aqui, seja bem-vindo!
Estou tentando desenvolver um projeto aqui no Medium, o “garota, interrompida”, e estou buscando colaboradoras para escrever nesse projeto (sobre transtornos psicológicos, traumas, vítimas de abuso e violência e como lidamos com isso). Se alguém se interessar, meu email é peixotoariani1@gmail.com.
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