Parece que foi ontem
Hoje, numa dessas corridas que a vida dá, conheci o bebê da minha amiga. Ele está com onze dias. Pequeninho, alemão dos olhinhos azuis, coisinha mais linda. E isso me fez pensar: essa amiga minha hoje está casada e tem sua própria família. Uma outra ingressou na faculdade. Outra, pensando em se casar. Várias já trabalham, uma ou outra já pensa em se mudar.
E, além disso, hoje, nessas corridas que a vida dá como que para intensificar as nossas reflexões, me deparo com a sogra de uma amiga, esta mais jovem que eu. “Ana Clara está com dois dias, fui lá visitar, a Bruna tá toda nervosa, mãe de primeira viagem.”
A Bruna, mãe de família! Onde andei eu ou onde ela andou por esses anos todos, para que eu, velha amiga, nem soubesse da gravidez.
Hoje eu vi, também, nas corridas que a vida dá na fila do supermercado, a Andréia — perguntei se ainda estava morando aqui, que nada, casou e foi morar em Neto. Hoje foi o dia de lembrar do que há muito estava guardado numa gavetinha empoeirada.
E, com isso, eu passo a entender aquela frase muito dita pelos meus pais e pelos pais dos meus amigos: “Como tu cresceu parece que foi ontem que…”
E é verdade. Parece que foi ontem que estávamos na terceira série brincando de pular corda, de queimada e de boneca no pátio da escola, parece que foi ontem que corríamos pra todo lado brincando de esconde-esconde no aniversário do Willian, parece que foi ontem que estávamos animadas conversando sobre sexo às escondidas, naquela curiosidade imatura da sexta série. Parece que foi ontem que fizemos o último piquenique, que tomamos o último banho de piscina, que jogamos o último dorminhoco e assamos o último churrasco na casa da Dio. Parece que foi ontem que vi cada uma das minhas amigas entrando deslumbrante na sua festa de 15 anos.
E num piscar de olhos, crescemos. Num piscar de olhos, já perdemos o contato. Parece que foi ontem que sonhávamos em ser astronautas, pilotos ou jogador de futebol. E num piscar de olhos, só queremos ter nossa casa, nossa liberdade, queremos apenas um bom futuro. Num piscar de olhos, caímos na realidade, no hoje. E hoje cada um de nós está construindo sua própria escada, que levará aos objetivos que cada um tomou para si.
Cada um de nós está enfrentando seus obstáculos com as próprias mãos. Cada um de nós está aprendendo a andar com as próprias pernas.
Com essas amizades antigas, tenho pouco contato. Me restam apenas memórias e sobra muita poesia. E hoje paro a pensar, escrevendo feliz sobre essas corridas que a vida dá.