Sobre Dificuldades de enaltecer meu ego, por entender o quão frágil e vazio são os resultados
~wallyson moreira
41

Pato, eu vivo o mesmo dilema. Preciso me autoafirmar o tempo inteiro. Preciso me lembrar o tempo todo de quem eu sou, senão eu esqueço de mim. Eu deixo as pessoas pisarem em mim pra não magoá-las. Sabe aquele tipo de pessoa que magoa antes de ser magoado, por ter medo de que isso aconteça? Eu sou exatamente o contrário: eu piso em ovos pra não magoar e sempre acabo me magoando, porque espero dos outros o mesmo que eu dou. Eu me doo esperando essa mesma doação, eu cuido o que eu faço, o que eu falo, cuido meus comentários, mas as pessoas não têm essa mesma sensibilidade, pelo menos não a maioria delas.

Eu vivo falando e promovendo o amor próprio, o se amar, o se pertencer e o se completar, o ser, mas quando eu falo isso, é mais um ensinamento para mim do que para os outros. Eu vejo por todo canto pessoas tão iguais, mesmo cabelo, mesmas roupas, mesmo celular, e tenho tanta ânsia em não ser assim, mas ao mesmo tempo percebo que é pertencendo ao senso comum que tu faz parte do todo. Me sinto deslocada o tempo todo, tenho complexo de inferioridade e mania de perseguição, não sou nem um pouco egocêntrica e tento me afastar de pessoas assim, realmente não gosto.

Eu gosto de gente que se importa com os outros. Mas a gente tem que lembrar de nós mesmos também, senão vamos nos foder. E tua vó tá certa. Se a gente não se amar, ninguém vai. Porque as pessoas vão notar que esse é nosso ponto frágil, vão se esgueirar por essa brecha e arrebentar tudo dentro da gente. Porque elas sabem que a gente tem a guarda baixa. As pessoas pisam, abusam, se aproveitam. E a gente se fode e nem é no bom sentido. Se gostar e cuidar de si mesmo é muito importante, e acho que essa é a coisa pela qual eu mais luto pra aprender. Eu odeio meu nariz, vivo em crise com meu cabelo, meu corpo me irrita, meu jeito. Acho foda eu só me sentir bonita usando certas roupas ou batom ou em determinado ângulo. Acho foda esse meu bloqueio pra falar conversar socializar. Mas daí eu percebo que essa sou eu e foda-se. A vida é muito mais do que o quão atraente ou simpático a gente é. A gente é ser humano, foda-se. E esse texto é mais um ensinamento pra mim mesma. Eu odeio me odiar e acho que é nisso que a gente tem que focar pra ser melhor. Antes de ser melhor pros outros, pra sociedade, a gente tem que ser melhor pra gente mesmo. E isso é puta difícil. Mas vida que segue, vamo tentando!

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Ari’s story.