poetas e a madrugada
Agora, manhã cedo, pouca inspiração eu tenho. Vontade de escrever, bastante, e é por isso que estou aqui. Mas, falar sobre o quê?
Nesse horário, busco a poesia. De madrugada, ela vem até mim: chega sem bater na porta, arrancando qualquer possibilidade de eu cumprir aquela velha promessa de “hoje eu durmo cedo.”
Talvez os velhos poetas sondem nosso sono. Talvez a poesia seja isso — roubar-te o sono, tal qual um amor. E, se as palavras são os nossos frutos, está aí a maternidade literária: noites mal dormidas.
Como já disse Cecília, a arte de amar é a mesma de ser poeta.