Quando me perguntam se eu acredito em deus…
Quando me fazem essa pergunta, eu prefiro dizer o mais simples: não. Porque, vendo sob a ótica de quem me perguntou e levando em consideração o deus a quem essa pessoa se referiu, a minha resposta realmente é não. Mas isso não significa que eu não acredite em absolutamente nada. Eu só tenho preguiça de explicar, porque é confuso até pra mim colocar isso em palavras.
Eu não acredito em um deus “físico”, em um ser personalizado, cheio de vontades, que anda, fala, pensa, é inteligente, abençoa e amaldiçoa. Não. Não tenho fé em um deus que cura ou castiga, que nos dá um paraíso após a morte ou que criou um ser maligno para destruir a fé da humanidade. Fé, pra mim, não é o acreditar, mas é ter força.
Eu acredito nisso: o Universo em si é uma força. Não um Deus. Apenas uma força. Tudo vai acontecendo tão perfeitamente sincronizado na natureza que seria burrice de minha parte pensar que tudo isso aconteceu do nada. Não sei como aconteceu. Não quero pensar em como aconteceu, talvez, sempre existiu. Enfim, o próprio Universo é essa força. Não uma força personificada que pensa, faz e desfaz. Apenas é. Apenas está lá.
E o nosso pensamento é essa força também, o nosso pensamento é tão intimamente conectado com essa força, é tão fruto desse Universo, é tão capaz de capturar essa força e transformá-la no que quiser. Alguns, chamam fé. Outros, força de vontade. É um pouco dos dois.
Por exemplo, já parou para pensar em quantas verdades existem no mundo? Em quantas provas de quantos deuses únicos existem? Então, é aí que eu quero chegar. Nosso pensamento é capaz de ser e criar o que quisermos. Se você acredita no Deus bíblico, você terá certeza de que ele realmente existe, você vai senti-lo, vai ter provas suficientes para acreditar nisso. Se você acredita que as almas viajam num ciclo ininterrupto e que podem aparecer para quem está vivo, você terá todas as provas e argumentos para crer nisso. Se você acredita que alguém foi possuído pelo demônio e que o demônio está presente, você terá certeza daquela verdade. Porque é o seu pensamento que cria essa verdade. Existem infinitas verdades, infinitos deuses. Mas nenhum de nós depende de algum desses deuses, são eles que dependem de nós para existir. É como o amor, ou como o ódio: não existe pra quem não o sente, mas pode transformar a vida de quem o conhece. São relativos. Dependem da gente para senti-los, não existem por si só. O amor não existe, ele é sentido. A gente não encontra o amor. Nós criamos o amor. Deus(es) é a mesma coisa. Escolhemos o que é melhor pra gente.
Nós só dependemos dessa força, para criar o que quisermos, ser o que quisermos, pois é ela quem nos permite essa capacidade. Nos capacita a amar, odiar, criar convicções, deuses, etc. Ninguém nasce com um talento: você se aperfeiçoa para criar um talento. Ninguém nasce sabendo desenhar, você treina até desenhar bem. Ninguém nasce sabendo tocar piano, você vai se dedicando até o som sair perfeito. Ninguém nasce falando outra língua fluentemente, você precisa tentar aprender a dominá-la. Ninguém nasce poeta, você aprende a entender as palavras. Você se cria. Usando a sua força.
Eu posso ser o que eu quiser. Eu sou apta para todas as coisas. Basta ter pensamento, força, dedicação. Eu sou o meu deus. Você é o seu. Nós somos nosso próprio deus.
Essa é a minha verdade.