Sobre mulheres e mulheres

Tá todo mundo falando sobre o caso do Marcos e da Emilly, participantes do BBB17, inclusive eu. Eu tava até pensando em falar, novamente, sobre relacionamentos abusivos, o que é importantíssimo, mas, nesse momento, outra coisa vem me chamando a atenção, e dessa vez, é algo que aquece o meu coração. Essas imagens salvaram meu dia, e é sobre elas que quero falar.

Todo mundo que assiste ao programa sabe que a relação entre Emilly e Vivian nunca fora das melhores, principalmente por motivos de: Marcos. Ieda também nunca foi a melhor amiga da gêmea. Mas, mesmo assim, no momento em que ela mais precisou, essas mulheres abriram os braços e apertaram Emilly bem forte dentro deles. Deram a ela todo carinho e apoio que ela precisava naquele momento, independente das atitudes e do caráter da menina, independente de ela ser mimada e etc, ela é mulher e merece apoio quando agredida física e emocionalmente, quando presa a um relacionamento abusivo que a deixou cega.

Essas imagens foram as melhores coisas que eu vi nos últimos tempos. Sei que tudo é jogada de marketing dentro do BBB, sei que o Marcos foi expulso apenas por pressão das redes e pra Globo manter a pose de feministona, sei que a Globo é machista sim e tá pouco se fodendo pra mulher, sei que a Globo não fez nada mais que a obrigação, mas eu não vim aqui falar do programa, nem da emissora, vim falar das mulheres e de como precisamos estar unidas, sempre, de como precisamos estender a nossa mão mesmo pra’quela menina mais filha da mãe que faz de tudo pra foder com a nossa vida, mesmo quando nós mesmas gostaríamos de manter toda e qualquer distância dessa mulher, mesmo quando ela é tóxica e abusiva, mesmo quando ela defende o namorado abusivo, mesmo quando ela defende o Bolsonaro ou se declara homofóbica, SEMPRE que esta ou qualquer outra mulher for abusada física ou psicologicamente por homens, nossos braços precisam estar muito abertos para recebê-la.

Eu vi essa imagem no momento em que eu debatia comigo mesma o fato de que um amigo, declaradamente de esquerda, LGBT, desconstruidão (o famoso esquerdomacho) passou a semana inteira chamando Emilly não de mimada ou etc, mas de xingamentos machistas e misóginos, além de não se manifestar contra as atitudes de Marcos em momento algum. Nesse momento, eu fiquei pensando no quanto estamos certas em deixar o “homem feministo” saber que o lugar dele não é dentro do feminismo. E daí eu vi essa foto. E tudo ficou ainda mais claro.

Não importa o quanto o homem pareça feminista. Não importa se ele é gay, se é hétero, de esquerda ou direita, se vota no Bolsonaro ou se prefere o Lula, se é branco, preto, gordo ou magro. Não podemos contar com ele. Sempre foi e sempre será apenas nós por nós. Nos momentos de violência, perseguição, no momento de reconhecer o papel do homem enquanto dominante, de reconhecer o privilégio masculino e todo sistema que defende e alimenta este privilégio, apenas mulheres estarão do teu lado.

Não importa se a mulher agredida é narcisista, falsa, abusiva, tóxica, pau no cu mesmo, ela é mulher, ela é dominada enquanto mulher, ela sofre as consequências de se nascer mulher numa sociedade misógina e patriarcal e, portanto, ela precisa de nós. Mesmo que ela não queira nossa ajuda. Mesmo que ela não sabe que precisa da nossa ajuda. Ela precisa de um abraço, de um mulheril, um bruxedo, uma frota de mulherões da porra. Porque, nesse mundo, independente de qualquer coisa, é, e sempre será, nós por nós.

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