Um texto sem título sobre: intolerância e ignorância

A minha, a tua, ignorância nossa de cada dia

Mais uma vez o Google me deu um belo tapa na cara. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.” é. Bem assim. Mesmo na era da Internet, onde temos qualquer informação a um clique de distância, nos é prefirível viver sob as sombras da ignorância.

Eu sou dedicada à Wicca e a parte que mais gosto nesse mundo pagão é a das ervas medicinais, chás, etc. Estava eu, então, pesquisando antigas benzeduras, pra ver como são realizadas e tal. Enquanto eu digitava “rezas e benzeduras antigas” o Google me sugeriu “rezas e benzeduras de Preto Velho” imediatamente descartei a sugestão, afinal, eu não queria este tipo de coisa. Mas aquilo ficou na minha cabeça. Eu nem sabia o que era Preto Velho. Por que rejeitei, então? Se o mundo é vasto e eu estou sob a chuva, porque não me molhar de conhecimento por preconceitos idiotas e mal fundamentados? Digitei: “o que é Preto Velho?” e com um enter resolvi matar minha ignorância.

Preto Velho não é um sinônimo de demônio, como nos é ensinado nas doutrinas cristãs. Os Pretos-Velhos, para minha surpresa, são espíritos de escravos idosos vindos da África, que conheciam esse tipo de benzedura, e são sábios, solidários, iluminados. A maioria das rezas falam em Cristo e Maria, porque obviamente foram adulteradas por conta da mistura de elementos cristãos na religião afro. Uma coisa tão simples. Um único clique. E o preconceito acabou. E o conhecimento me veio. Tão simples. Por que tão difícil?

Outra coisa: Exus. Que são? Demônios? Pesquisei. Abri um link e lá estava uma relação de uns 50 tipos de entidades diferentes, artigo de um evangélico, contando os males de cada demônio. Pulei logo para os comentários. A maioria o chamava de ignorante e intolerante. Ok. Pesquisei mais.

Que são exus? Orixás, espíritos em evolução. Eles fazem o mal? Olha aí a semelhança! Assim como na Arte, a Umbanda também não tem cor: é o ser humano que a pinta. Exus fazem o mal se o ser humano quiser. Exus trocam favores por oferendas. Se a pessoa quer fazer o bem, a entidade vai lá e faz. Se deseja o mal, idem.

Matei dois preconceitos hoje. Mais do que isso: matei a ignorância. “meu povo perece por falta de conhecimento” realmente, Deus, teu povo perece exatamente por isso.

Não deixemos que a intolerância plantada por religiões extremistas e opressoras acabem com a nossa vontade de aprender. Geralmente, elas nem sequer conhecem do que estão falando, mas ameaçam e demonizam o diferente, exatamente para que sintamos medo e não procuremos saber do que realmente se trata. O medo limita. Não devemos temer o desconhecido. Se a gente levantar muros, não poderemos enxergar o horizonte.

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