The English Patient (1996), dirigido por Anthony Minghella

Terre des Hommes — Saint-Exupéry

VII — No centro do deserto

[…] Ontem, eu caminhava sem esperança. Hoje, essas palavras perderam o sentido. Hoje, caminhamos por caminhar. Assim talvez façam os bois, no arado. Sonhava outrora com paraísos de laranjeiras. Mas hoje, para mim, não existem mais paraísos. Desacreditei na existência de laranjas.

Não descubro mais nada em mim, senão uma grande frieza no coração. Morrerei sem ter conhecido o desespero. Nem mesmo sinto aflição. Eu o lamento: a dor me pareceria doce como a água. Ficamos com pena de nós e nos queixamos como faria um amigo. Mas não tenho mais amigos nesse mundo.

Quando me encontrarem, de olhos vermelhos, pensarão que careci demais e sofri muito. Mas os elãs, os arrependimentos, os sofrimentos tenros, são também riquezas. E não tenho mais riquezas. As jovenzinhas, na noite de seu primeiro amor, conhecem a tristeza e choram. A tristeza está ligada aos abalos da vida. E não tenho mais tristezas…

O deserto sou eu. Não gasto mais saliva, também não mais crio as doces ilusões pelas quais poderia ter suspirado. O sol secou em mim a fonte de lágrimas.

Traduzido a partir da edição publicada pela Classiques Larousse, Paris (1959).

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