Sofá
A música se repete. O sentimento não existe mais. Talvez exista e a distância só tenha sido muito grande.
Eu vi você na rua, moletom verde, nossos olhos se cruzam, dois estranhos. Falo de você pro meu amigo “ta falando do bonitinho ali?” é sim! É você o bonito. Depois de todos esses meses continua bonito. Tem algo no seu rosto que eu não consigo deixar pra lá. Tem algo no seu rosto que diz que a gente podia ser feliz junto.
Acho um grande golpe do destino eu te ver no dia que eu comprei o sofá que vai estar pra sempre impresso nas imagens que te apresentaram pra mim. No dia que eu decidi lembrar da sua música e ouvir sua voz. O Universo que insiste em brincar com o meu coração.
Lembrei de todos os sonhos que eu tive assim que eu te vi ali parado em meio a todas as pessoas. Se elas soubessem que mais uma vez meu coração pulou uma batida. Que mais uma vez eu perdi o ar. Você ainda me tira o ar.
Seus olhos trouxeram as possibilidades de um amor impossível. Porque você tem esses olhos que me enganam e me hipnotizam e eu não sei o que fazer com esse sentimento que nem sentimento é.
Eu quero as risadas, as conversas sem fim, o vinho derramado no tecido puído e desbotado. Minha cabeça no seu colo.
