prática

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faz de conta que, agora,

eu sou o teu caderno

de originais impublicáveis

faz de conta que as pintas

na minha pele pálida,

cálida, pronta

formam linhas infinitas

faz de conta

que você me escreve, me rascunha

me edita, me descarta

me dá tantas outras chances,

me significa, me adapta

mirando a posteridade

põe silêncios na minha boca

escorrendo, transbordando

teus suspiros incontidos

encaixa tuas bem-medidas rimas

nas minhas estrofes desastradas

depois de tantas cabeceiras

onde esquecidos tantos léxicos

me arquiva, me engaveta

-e nem me assina-

feito obra inacabada

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