Vivemos a partir das nossas memórias. Tenho muitas memórias boas, mas muitas memórias dolorosas. Memórias de rejeição, solidão, medo. Como viver a partir de memórias assim? Minha experiência: suprimir a dor não adianta. É preciso olhar pra ela. De frente. Senti-la. Presente.

Quando você é criança e dependente, nem sempre você compreende que os adultos responsáveis por você podem, ainda, ser dependentes. Podem, ainda, não serem capazes de se responsabilizar. Nem por você, nem por eles. Isso também acontece com irmãos, primos, amigos. Estão (estamos), todos, vivendo a partir de memórias. Memórias de rejeição, solidão, medo.

Quando fui mãe, senti que estava projetando na minha filha todo meu medo. Tinha medo da vida. Mas ela não é minha projeção. Como não compreender a dor de quem cuidou de mim, se eu também tive dificuldade em me desidentificar da dor e ser amor para quem eu amo tanto? Compaixão. Empatia. Humildade. Gratidão. Está todo mundo dando seu melhor para limpar camadas e camadas de ilusão projetadas por gerações e gerações da nossa linhagem. Às vezes é muito difícil. É muito doloroso. E cada um vai até onde pode.

É importante é se lembrar de que está tudo bem. Você não é nenhuma dessas projeções. Você é livre. É amor. É amada. É amado. Você que está lendo esse texto é líder de um Novo Mundo. Um mundo onde a carência não reina, é abraçada. Onde o amor trabalha através de nós. Onde sabemos quem somos. Desfrutamos sem nos perder. Nos responsabilizamos. Nos amamos. Nos valorizamos. Damos o que temos e nos permitimos receber. Inteiros, expressamos a essência de um Todo, maior do que nós.

Viveremos a partir de uma memória que antecede essa vida, essas existências ancestrais, nossas, pela metade, com medo, mergulhadas na mentira, na luta para ser quem já é, no esquecimento do que está fazendo aqui. Vivamos a partir da memória verdadeira. A partir do interior. A partir da abundância que somos, da unicidade que honramos. Vivamos a partir do amor.

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