Outro dia, me disseram:

“Nossa Anna, não sabia que você escrevia”.

Claro que não sabia, 
se nem eu -quem aqui escrevo- sabia. 
Na verdade eu nunca soube que eu sabia.
Na verdade, eu escrevia, e os poucos que liam se surpreendiam:

“Como pode?! Alguém falar tanta bobagem! Fazer tanta graça, mas ter um certo fascínio com as palavras? Saber coloca-las, saber me surpreender. Anna, eu estou surpresa. Jamais me passaria pela cabeça…”

Acho que a gente nunca sabe que sabe..
Até que se descobre. 
E como eu poderia exigir que as pessoas soubessem, não é?

Então eu passei a pensar,
fui mesmo injusta com muita gente.
Porque julgo conhece-los, sem conhece-los realmente.
Porque os julgo pelo que eu ouço, 
os julgo pelo pouco que dizem 
(os julgo pelo pouquissímo que os escuto.) 
E principalmente os julgo -e muito!- pelo que ouço falar sobre eles.
Mas o que sabemos, realmente?

Sei de algumas coisas.
Sei que considero muita gente babaca e escrota.
Sei que já gritei pelos quatro cantos os absurdos que ouvi. 
Sem nem mesmo procurar saber se eram verdades.
Mas e se fossem verdades? Que direito teria eu?

Muitos também pensam que me conhecem.
Pelos vexames que dei em festas, 
pelas piadas de redes sociais, 
pelas fotos sem noção.
Mas eu não sou só isso. 
Também sou isso,
mas, se alguém for até a praia 
e só olhar para baixo, o que verá além da areia?
e aquela imensidão -seca e quente- não será a sua verdade? Ou parte dela?
Se não erguer a cabeça para olhar as águas, 
se não reparar nas pedras e nas conchas, o que ela saberá?

Não é culpa nossa. 
As vezes estamos mergulhados em nossos pré-conceitos. 
Não damos as devidas chances, não erguemos nossas cabeças.
As pessoas são muito mais do que as impressões que temos.
As pessoas guardão dores lá no fundo.
Guardam pedras, rochas e violentas ondas… mas também tem seus lindos peixes, suas pérolas, seu sol. 
O que sabemos de verdade? Se não pararmos para enxergar?

Peço desculpas a todos que julguei.
Peço desculpas a todos que continuarei julgando.
Mas sigo tentando, não fazer-lo.

Como uma criança que começa a caminhar
Também terei meus tombos.
Mas o que valerá será a perseverança
em não ficar no chão,
E sim em ter a força para me levantar.

Então, que eu deixe as pessoas serem o que elas são.
Sem meus julgamentos, sem pretensão.
E que me deixem ser também.

E que só impeçam minha liberdade
Quando ferir a sua.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.