Arte: Saúde Mental & Inspiração para a Vida

Muito se tem falado ultimamente sobre o poder curativo das artes visuais. Produzir ou contemplar arte ajuda a manter ou a melhorar a saúde mental.

Usar arte para combater o estresse não é um conceito novo. Quantos de nós não já descobriram os efeitos terapêuticos de uma aula de cerâmica ou de pintura?

Novidade para mim é saber que apenas contemplar um quadro pode ter o mesmo efeito terapêutico. O filósofo Alan de Boton acredita que arte existe para nos ajudar a enfrentar melhor os problemas da vida e, assim, sermos felizes. E não é só pela apreciação da beleza das obras em si. Diferentes quadros podem ajudar em diferentes áreas da vida, seja estimulando o sentimento de esperança, empatia, amor, etc. Ele é inclusive co-autor do livro “Arte como Terapia”, que oferece um guia de como observar alguns quadros famosos para usufruir dos diferentes efeitos benéficos que cada um deles oferece.

Eu venho explorando a ideia de usar apreciação de arte como meditação. É uma experiência diferente de ir ver uma exibição para conhecer a obra de determinado artista ou trabalhos artísticos de uma determinada época.

Participei de uma classe de mindfulness & arte, através da contemplação das pinturas da americana Geórgia O’Keefe (1887 – 1986), na Galeria de Arte de Ontario. Aprendi técnicas para contemplar arte de forma a trazer mais mindfulness para a minha vida!

O exercício de meditar através da arte requer um olhar sem expectativas, sem adicionar informação do artista ou do quadro. Ou seja, a ideia é fazer a SUA leitura da pintura que lhe atrai naquele dia, observar que sentimentos afloram, enxergar as mensagens sutis que são trocadas naquele exercício de simplesmente OLHAR. Deixar-se ser transportado a outros mundos, ora mergulhando no colorido vibrante, ora experimentando a serenidade dos tons pastéis.

Pinturas de Geórgia O'Keefe

Assim fiz outro dia, ao contemplar os quadros de O’Keefe. Depois de 4o minutos, sai do museum sentindo-me leve e com o espírito elevado!

Voltando para casa, pensei sobre a vida desta artista, longa e produtiva. Ela teve a coragem de mudar radicalmente os temas de seu trabalho, em diferente fases, e o fez magistralmente! A paixão pelo seu ofício fica transparente quando observamos seus quadros.

Para completar, sai do museu apaixonada pelas paisagens de Santa Fe’, Novo México, que ela retratou prolificamente. Já inclui em meus planos de viagem, uma visita a esta área dos Estados Unidos.

Como um pensamento puxa o outro, me veio à memória a exposição da brasileira Anita Malfatti (1889 – 1964), que visitei em abril deste ano, no MASP. Naquele dia, na lojinha do museu, comprei um caderno de anotações, cuja capa retratava um quadro lindo de outra grande pintora brasileira – Tarsila do Amaral(1886 – 1973).

Pinturas de Anita Malfatti

Fico pensando na sincronicidade desses fatos e de como essas três mulheres maravilhosas, que viveram na mesma época (início do século 20), resolveram me presentear, de uma só vez, em 2017, com sua arte, e me inspirar, com sua coragem de quebrar padrões e fazer valer o seu talento!

Pinturas de Tarsila do Amaral