Oi Anna,
Vitor Pezzuti
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Vitor, obrigada pelo comentário :)

“você é o diferente da turma, o ser divino e purificado”, “o movimento não é seu”, “ao falar isso você já está sendo machista e opressor” e por aí vai. Isso, obviamente, gera mais intolerância por parte do homeo e aí entra num loop acalorado de ofensas que só resulta em mais segregação e guerra de gêneros.

Sobre isso, acho algumas coisas: 1. Realmente, algumas mulheres (muitas) estão bem cansadas. Pra nós , algumas explicações já são tão óbvias e antigas, que simplesmente não queremos mais ter que repetir. 2. De qualquer modo, eu, pessoalmente, não gosto de usar nunca uma linguagem, uma comunicação violenta (palavrões, ironia, etc). Acho desnecessário. 3. Refletindo muito sobre isso há algum tempo, cheguei à conclusão que, dentro desse movimento de empoderamento e caminhada à igualdade de gênero, veículos e pessoas têm papéis diferenciados. Algumas mulheres vão escrever pra mulheres, outras vão dar porrada nos homens, outras pessoas vão falar com os homens e fazer pontes (papo de homem e alex castro, por ex), outras ainda com o governo e instituições e por aí vai (think olga, por ex, que virou ONG). Vejo isso claramente. Não dá pra pedir das mulheres uma coerência de reação, sabe?

Tenho visto também denúncias por parte de homens (uns que apoiam o feminismo, outros não) denúncias machistas que tenham partido das mulheres. Em resposta, as feministas alegam que o movimento não é deles e que não devem expor as mulheres ou colocá-las umas contra as outras.

Sobre isso, concordo que não faz sentido falarmos de outras mulheres, ou os homens usarem a hashtag, ainda que seja pra falar deles mesmos. A hashtag, o movimento, não é só de combate ao machismo. É, antes, de protagonismo e empoderamento feminino. E isso muda tudo, percebe? São as mulheres vomitando, fazendo denúncias, botando pra fora situações que foram caladas por muito tempo. São elas se reconhecendo umas nas outras, se acolhendo, se unindo. Sororidade. Retomada de poder. Pra mim, nesse momento, os homens tem que ocupar um lugar que ocupamos a vida toda: de ouvir, de observar. Deixar a voz conosco. Essa é a maior contribuição de vocês agora. E sim, o machismo está arraigado em todos nós, na nossa cultura patriarcal. Em mulheres também. Mas o movimento dessas campanhas e hashtags, na minha concepção de várias feministas, é deixar as mulheres se recuperarem — até se entenderem como machistas, por meio da possibilidade de participarem do movimento. Uma mulher ser machista não tira ela do espaço de oprimida, entende? Ela segue sendo mulher, e mesmo que tenha reproduzido comportamentos machistas, ela provavelmente o fez porque foi assim que foi educada, sofreu machismo, abusos, e perpetua isso como se fosse normal.

Ou seja: dar pras mulheres a fala, incentivar união, e deixar que elas entendam a opressão que sofreram (e que perpetuam) sozinhas, sem intervenção dos homens nem apontamento de dedo de outras minas.

Beijos!

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